
Quando eu era mais nova, estava no colegial, li o Mundo de Sofia, depois vários livros do Jostein Gaarder passei a acreditar que ele era meu autor preferido. Mas, eu conheci outras coisas e comecei achar tudo que ele escrevia muito simples. Na faculdade, nós deparamos com grandes filósofos, dos quais o Jostein falava no livro até, mas de uma forma muito mais complexa. Porque não é uma pessoa com uma linguagem simples falando de um grande pensador, mas as coisas que esse grande pensador falava, nas próprias palavras deles, ou de alguém que registrou literalmente (e hermeticamente) o que eles transmitiam, ou gostariam de, ao povo.
Mas, faz um mês mais ou menos, eu voltei a ler os livros, comecei do começo. O Dia do Curinga. E agora estou no Mundo de Sofia novamente. E ao ler o Dia do Curinga, eu percebi que é simples sim, mas, apenas a forma que se apresenta algo que é muito complexo e difícil, que é ser um Curinga num meio de um baralho todo, comum, com cartas do mesmo naipe. Ser aquele que se diferencia e por isso é um bobo da corte, aos olhos das outras cartas. E a bebida púrpura, que não deixa as cartas enxergarem a vida como ela, surpreendente e única. Enquanto isso preocupam-se em apenas realizar o trabalho para qual nasceram, sem nem mesmo questionar porque fazem aquilo todo santo dia.
E ser um Curinga é algo muito difícil, é ser diferente, é ver as coisas de forma diferente e se perguntar toda a hora porque é assim. E se maravilhar com as mil possibilidades de respostas. Entretanto, é um ato de coragem, nem sempre as respostas são melhores e muitas vezes não a encontramos e vem a angústia. A vontade louca, insana, de voltar a ser uma carta de baralho comum, com o naipe igual a outras 11, para entrar novamente no jogo.
E depois da leitura, eu comecei a pensar muito nisso, se quero ser um Ás de Copas, com um lindo vestido amarelo, tentando se encaixar em algum jogo de paciência da vida, ou assumo a posição corajosa de ser um Curinga. Só que esse é, enfim, um questionamento que fiz minha vida toda. Se realmente estou no caminho certo, se é isso que quero, se sei lutar pelo que quero, ou se espero a mudança chegar a minha porta, para parecer menos brusca.
Meu maior receio é entrar em uma roda-gigante, que eu nunca possa sair, e que fique girando sempre igual, sempre no mesmo ritmo até parar de vez. Nesses momentos, sempre vem uma música na minha cabeça, um trecho específico: "Afinal, qual é graça de já saber o fim da estrada quando se parte rumo ao nada" (Paulinho Moska - o alvo e a seta)...