No filme "Em seu lugar", um filme até bobo, hollywoodiano, mas que tem um trecho muito legal, no qual a atriz Cameron Diaz, que no filme vive uma personagem com dislexia, está em um hospital e um senhor cego pede para ela ler um trecho de um poema, o foco é nesse problema da personagem, claro. Mas, depois que você vê umas duas vezes o filme começa a prestar a atenção no poema. Ele fala da perda de coisas na vida. Primeiro coisas simples como um molho de chaves, depois grandes coisas como rios, países, mas, na verdade é uma forma metafórica para dizer que temos que nos acostumar a perder coisas no caminho da vida.
E comecei a pensar muito nisso ultimamente, como a nossa vida muda, extamente pelas coisas que perdemos pelo caminho. E engraçado a forma como perdemos especialmente as pessoas, na sua forma física primeiramente, pela distância geográfica e temporal e depois como vamos perdendo todo o tipo de presença dessa pessoa...os telefonemas ficam raros, emails não aparecem mais na caixa de entrada e, por fim a pessoa fica só na lembrança, mas, começa a ser uma lembraça dolorida, de procurar onde você errou. Foi eu que me distanciei? Foi o telefonema que não dei? O aniversário que esqueci? Alguma coisa que falei na última vez que nos vimos? Não temos mais nada vê? Mas, e as coisas que compartilhamos e laços feitos? Não são válidos mais?
Ai você luta para isso não transformar-se em mágoa...e de repente começa pensar que a vida é assim mesmo, as pessoas passam por ela, mas, no fim a gente vai embora do mesmo jeito que chegou nessa existência...sozinho... Mas, conformismos à parte, tem algumas pessoas que eu simplesmente queria que continuássem aqui, na existência do meu dia-a-dia, no entanto, não podemos lutar contra os ventos que sopram de todos os lados que levam cada pessoa que mudou nossa vida, que ainda amamos ou um dia já amamamos para os seus destinos. E nem sempre eles se cruzam, o que não apaga o que existiu e nem as mudanças causadas...