terça-feira, 26 de junho de 2007

porque quis um blog

Eu resolvi criar um blog por falta do que fazer, por falta de onde escrever, por falta de exercitar a mente, quem sabe assim eu escrevo mais, escrevo como escrevia na faculdade, porque esperar um vaga no mercado de trabalho está me angustiando. Todos os dias parecem iguais, mas, na verdade eles são diferentes e eu comecei a enxergar isso recentemente, ter um trabalho, uma rotina, receber o salário no fim do mês, todos os dias acordar na mesma hora, ver as mesmas pessoas no mesmo ambiente, bater cartão...isso sim é ter todos os dias com a mesma cara. Acho que foi por isso que escolhi o jornalismo, embora, você acorde todos os dias sabendo que vai para a redação de um jornal, revista, rádio, televisão, você sabe que seus dias jamais vão ser iguais, você sabe que uma notícia de ontem não se repete, que vai escrever sobre outra coisa, falar com outras pessoas, ir para outros lugares, tirar outras fotos. E hoje meus dias são diferentes, porque eu não tenho trabalho, eu posso acordar em horários diferentes, fazer uma coisa diferente de ontem, como estar aqui escrevendo nesse blog, mas, ao mesmo tempo eu não estou nas ruas, não estou entrevistando pessoas, fazendo reportagens, algo que escolhi para minha vida e que hoje parece tão longe, há um mês eu tinha uma rotina, há um mês certinho a partir de hoje. Bom criei uma rotina nesse instante de escrever, como um amigo meu, o Pedro me disse..."nunca deixe de escrever...

"Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem o ser ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso, a palavra foi feita para dizer."(Graciliano Ramos)

Um comentário:

Verônica Lima disse...

Gostei de ver, Mari...iniciativa maravilhosa...que bom que vai nos presentear com seu belo texto...boa sorte, sempre! Verônica