Eu...algumas palavras que me definem: jornalista, apaixonada, insegura, ansiosa, amiga...um sentimento que me move todos os dias: saudade..saudade imensa de tudo que eu vivi, que eu vivo e que eu vou viver...fiz isso para poder escrever, uma coisa que eu gosto, desde criança...deve ser por isso que escolhi ser jornalista...
sábado, 3 de maio de 2008
Sobre mais uma novela da televisão brasileira
Não é novidade alguma, ainda mais agora que já faz mais de um mês do primeiro capítulo dessa novela que a mídia criou mais uma vez diante de um acontecimento real. A novela que tem o ibope de todos os brasileiros. Um diferencial: ela passa em todos os canais, embora cada emissora tente abocanhar para si um fato exclusivo, uma entrevista inédita. A pequena Isabella Nardoni teve apenas 5 anos e pouco de vida, mas o suficiente para ser uma das principais atrizes de uma história que envolve crime, ciúme, romance, mentiras, polícia, justiça, populares, revolta, enfim, diversos ingredientes para um grande sucesso de audiência, digno das grandes novelas de Aguinaldo Silva. Me desculpe a comparação, não se trata de desrespeito a vítima, uma linda criança que nem tem culpa de nada, e nem de romancear os culpados. Trata-se aqui de uma crítica a forma como fatos assim são explorados e re-explorados pela mídia, como ela transforma um crime hediondo em um folhetim romanesco. Mas, além disso o fato que mais me incomodou foi a forma que, ao criar esse roteiro novelístico, a mídia envolve os chamados "populares" na trama. Pessoas ditas comum que nada tinham em comum com a família Nardoni, nem ao menos já tinham visto o rosto vivo da menina Isabella e hoje se sentem parte integrante da família. Os populares que se tornam linchadores ou pelo menos assim o sentem. Achei que só eu pensava assim, só eu tinha esse sentimento de repúdio àqueles que saem de sua casa, deixam seu trabalho, escola, enfim o que estavam fazendo para se postar em frente a uma delegacia e gritar palavras de ordem como "Lincha", "Justiça", "Assassinos", "Isabella",e chegar ao cúmulo de cantar parabéns a uma menina que até então nem conheciam. Mas, descobri que não. Muitos acreditam também ser absurdo uma atitude dessa. Uma mulher com uma criança no colo no sol, gritava que a família é uma instituição falida. Com certeza minha senhora, já que em vez de estar em casa cuidando do filho a senhora o coloca no desconforto de ficar em pé no sol gritando palavras que ele nem conhece ainda. O sorveteiro aproveita para fazer um trocados em frente a 9º DP, em frente à casa da família Nardoni, da Família Jatobá, do Edifício London. Por que não tirar uma foto da janela de onde a menina foi atirada? Por que não invadir o prédio, a casa de alguém ligado a família? Tudo isso traz emoções a mais ao enredo. Todos os populares são personagens de um tribunal, todos juízes capazes de condenar alguém que não conhecem, pouco sabem da vida a não ser pequenos factoídes divulgados pela mídia para construir todo uma trajetória de traumas e atitudes violentas que indicam a faceta de um assassino. Não cabe a mim também dar uma de "popular" e assinalar aqui culpados ou inocentes. Acho que isso cabe a um julgamento sério, feito por pessoas capacitadas e formadas com esse intuito de julgar réus. Culpados ou não, isso não importa agora, nem para esse texto. O que importa aqui é destacar como a mídia consegue contruir uma história de bem e mal e assim nos redimir de nossos próprios pecados, consegue nos proteger de nossos próprios monstros internos. Parafrasendo, em termos, o que uma amiga minha me disse. É nesse momento que vemos o que nós seres humanos somos capazes de fazer, todos, e vemos como única saída o linchamento, assim nos sentimos menos pecadores por tratar com violência quem praticou violência num eterno ( e terno) círculo...
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