sábado, 8 de dezembro de 2007

Hip Hop no ar

Vou aproveitar o meu espaço aqui para falar do programa de hip hop que vai passar na Rádio Unesp de Bauru 105 FM. HIP HOP NO AR com produção e locução minha e do Pedro meu grande amigo serão 4 edições nos próximos domingos de dezembro a partir de amanhã. Ás três horas da tarde.Para todos até para quem não conhece o movimento muito bem porque vai falar da história do movimento nos Estados Unidos, no Brasil, sobre os quatro elementos e história do movimento na minha cidade, Bauru. Dá para ouvir na internet também - www.unesp.br - é só clicar no link da Rádio. Uma colaboração nossa para esse movimento que eu admiro tanto. Queria poder fazer mais, que o programa fizesse parte da grade da rádio, mas, infelizmente poor enquanto é que podemos fazer.

HIP HOP NO AR TODOS OS DOMINGOS DE DEZEMBRO 9, 16,23 2 30 DE DEZEMBRO. RÁDIO UNESP 105 FM BAURU-SP

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

a elite e sua tropa e meus devaneios

Eu falei que ia escrever sobre o minhas impressões do programa roda viva com Mano Brown, mas, me aconteceu algo no caminho. Eu fui assistir o filme Tropa de Elite. Fazia tempo que eu não saia de uma sessão tão arrasada, a noite eu nem conseguia dormir, ficava pensando em toda aquela ficção criada a partir de uma realidade, ou uma realidade ficcional, uma ficção real, sei lá é um tanto difícil descrever a sensação de tensão que passei. Depois aquela sensação de que mundo é esse que a gente vive, coisa mais ingênua de quem não se tocou da realidade que vivemos. Mas, não é isso que eu senti não, não uma visão inocente, não foi isso, foi um sensação de impotência diante de um mundo onde todos são culpados. A gente saí do cinema revoltado, no entanto, depois de cinco minutos estamos pensando em que vamos fazer depois, tomar sol na sexta de feriado, fazer algo no fim de semana. Seguimos nossa vida como se aquilo não fosse nossa responsabilidade também, como se só porque fuma um baseado de vez quando isso não te faz responsável e umas das pontas desse esquema de criminalidade gerado pelo tráfico. Aí pensei na profissão que eu escolhi pensei no que nós fazemos para melhorar isso, nós os formadores de opinião, depois pensei no meu mestrado, fiquei com vontade de não fazer mais nada, ficar sentada na poltrona num dia de domingo esperando a morte chegar. Mais tarde você se toca e vê que é um filme, uma visão sobre algo que pode ser verdade ou não. Como nós somos curiosos ou alguns de nós, tudo que é relativo a algo que nos marca chama atenção de algum modo. Comecei a ver a opinião, a leitura de várias pessoas acerca do filme e, enfim, nós concluimos que cada um vê sob a perspectiva que mais lhe convém. Para alguns o Capitão Nascimento é personificação de um herói, aquele que falta a nossa sociedade, para outros o filme é reacionário ao mostrar o playboy que fuma maconha como culpado e a truculencia da polícia como a única forma de salvação. Preconceituoso ao mostrar uma classe média sem senso crítico algum, perigoso ao banalizar a violência. Mas, no fundo se torna reacionário, preconceituoso, perigoso porque a sociedade que frenqüenta os cinemas é assim. Os garotinhos que aplaudem o Capitão Nascimento são assim. Nós banalizamos há muito tempo a violência. No fim ninguém repara no mais importante, no quanto é difícil viver conforme a nossa consciência, do quanto é preciso ter coragem para assumir que a forma como a realidade caminha não é justa e ter coragem para negar essa realidade e não participar dela. Não colaborar com o vazio, o vazio...esse fim eu só consegui escrever depois de uma conversa que tive hoje de manhã. Fiquei muitos dias em crise, pelo filme, por não ter passado no mestrado, por enxergar apenas derrotas nesse ano, enxergar um vazio imenso sobre o que eu vivo realmente e o que eu queria viver, sobre o que eu sou e o que quero ser, sobre viver o que eu acredito ou o que esperam de mim. Ser coerente é um ato de coragem. Como Mano Brown afirmou, o ser humano é contraditório. Só queria ser menos, viver menos nas relações artificiais e viver mais no real, no sólido. É engraçado como as linhas são dispersas, tudo que eu escrevo é uma colcha de retalhos, acho que foi por isso que não passei na prova, a minha cabeça não consegue se focar em algo e isso se reflete no que eu sou, no que escrevo, no que quero e cada dia fica mais difícil seguir um único caminho, até na hora de escrever nesse blog. Eu sento com uma idéia e só vem devaneios. Acho que vou repensar isso antes de me expressar. Afinal para que servem os rascunhos?

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

cenas do próximo capítulo

Nessa segunda aconteceu algo inusitado, Mano Brown, que por muitos é chamado de líder dos Racionais MC´s fez uma rara aparição na televisão. No Roda Viva da TV Cultura. Quero escrever algo sobre isso, mas, tem que ser algo bem pensado, como uma crítica, mas, qum sou para fazer isso, não é? Portanto, tem que ser algo bem produzido. Porém, já fica a deixa do meu próximo texto.

uma chance perdida, uma experiência guardada

O tema era quem eu sou e por que eu escolhi o jornalismo, com 4.000 caracteres, eu até comecei a escrever em bloquinho que eu passei a levar em todos os lugares, meus únicos companheiros, o bloquinho e a caneta. Pena porque ele está acabando, as páginas que a cerca de dois meses eram brancas, hoje estão cheias de rabiscos em azul, preto e vermelho. Rabiscos dos mais variados e em uma seqüência, bom, acho que não pode ser chamada assim porque não existe seqüencia alguma. Ele reflete a minha vida nesses dois últimos meses, quando eu resolvi que queria fazer mestrado. No começo eu tinha um foco, lia todos os dias, escrevia vários pontos interessantes dos livros. Estava em um ritmo legal (a palavra incabível) para quem tinha uma semana certinha, sete míseros dias para cerca de 300 ou 400 páginas de pura comunicação e seus desdobramentos, bom acho que os desdobramentos da comunicação podem ser classificados como toda a nossa realidade, que não existe sem uma mediação, sem uma forma de comunicar. Só que isso não cabe no que escrevo agora. Só que nessa medida exata, sete dias para cada livro até o dia da prova, algo nada exato, nada planejado aconteceu...Rio de Janeiro...Em dois dias eu tinha qu estar em uma cidade que só vi na televisão, uma cidade que nunca tinha ido, mas, já tinha visitado várias vezes pelos mass media, vou usá-lo já que o termo permeia todo o Teorias da Comunicação que agora tento ler o mais rápido possível. Correria e em dois dias eu estou na Cidade Maravilhosa, não quero fazer um diário de bordo aqui. Ficam registradas só as impressões...primeira visita, a realidade como ela é, sem uma tela, uma foto, ou qualquer outro recurso representativo de uma realidade, o filtro só os meus olhos e aquilo que não consegui ver, literalmente "de frente para o mar de costas para favela", nem sei bem se é de costas é a palavra. Uma cidade grande, tenho que preservar minha origem caipira, é grande, mas, diferente do concretão da capital paulista. No mesmo ecosistema: correria, carros, ônibus,trem, linha vermelha, linha amarela,praia, verde, concordando ou não a terceira maravilha do mundo (o Cristo), pão-de-açucar, bondinho, copacabana, ipanema, barra da tijuca...duas visitas em menos de uma semana e eu que pensava que nunca ia ver a Favela da Rocinha. Mas, eu vi. Parecia uma árvore de natal, deve ser porque eu a vi de noite. Bom não importa, porque foi apenas um flauner, só uma passagem, bem por cima, só algumas impressões. Deu uma vontade de morar lá sim, de conseguir o emprego que me levou até lá, de ampliar o horizonte. Mas foi apenas uma visita, uma visita diferente, que mudou algumas coisas dentro das minhas perspectivas, no entanto, eu ainda não sei exteriorizar isso de forma clara, por isso um embaralhado de palavras no exposto aqui. Uma história que começou com a chance que eu perdi no Curso de Jornalismo da Abril e terminou com a minha experiência na Cidade Maravilhosa, guardada...Esqueci do Maracanã...mas ele estava lá sim, imponente...eu também.

sábado, 25 de agosto de 2007

não seria melhor cansei de ser egoísta?

Eu pensei muito se realmente deveria escrever sobre isso. Será que não mexer e feridas ainda abertas? Achei melhor não levantar polêmicas. Depois, fiquei pensando muito nisso e criando umas frases na minha cabeça, uma manhã inteira, arrumando a casa e pensando nisso. Aí eu refleti, quem eu sou afinal de contas? Quem vai se importar com uma recém-formada em jornalismo, desempregada que escreve em um blog que quase ninguém visita? Então...foda-se né...Quem disse que a gente precisa agradar todo mundo, um cara que eu admiro muito, uma vez disse em uma música "Eu queria saber o segredo do sucesso, porque do fracasso é agradar a todo mundo"*.Assim sendo, vou escrever sobre o acidente do vôo 3054 da TAM. Eu sei que isso já faz mas de um mês, que todo mundo fala disso, que existem mil reportagens, textos, comentários, etc, etc, sobre isso, mas eu quero falar algo diferente, na verdade isso é só um pano de fundo. O que eu quero falar mesmo é sobre a dor. Voltado ao acidente, deve ser uma dor imensa ter uma pessoa querida morta em acidente assim, ainda mais em um que matou outras 198 pessoas queridas de outras pessoas. Ter seu pai, mãe, filho, primos, amigos, arrancados dessa forma de você. Enfim, como sempre após uma tragédia as pessoas passam a buscar um culpado, como se isso diminuísse a dor, a dor se transforma em raiva, ms,não se iludam ela não deixa de ser dor. A busca por culpado, mesmo que este esteja entre os mortos, mas, isso normalmente não satisfaz quem ficou. Esta busca nesse caso gerou um movimento denominado CANSEI. Que sinceramente, deveria ter como mote Cansei de ser EGOÍSTA! Porque o ser humano é muito egoísta, as pessoas que começaram esse movimento são egoístas, no fundo todo mundo sabe do que essas pessoas cansaram...e só cansaram porque não estão ponto alto do poder,na cadeira da Presidência, só cansaram porque a dor só agora bateu na sua porta, porém, a dor está há muito mais tempo na sociedade. Só para dimensionar, ninguém pensou em fazer camisetinhas, pegar porta-vozes famosos, fazer movimentos na cidade para dizer que cansou das mortes de inocentes, provacadas por políciais, nas periferias de São Paulo depois dos ataques do PCC. Quando a polícia teve o aval para matar todo mundo que tivesse cara de bandido (leia-se: o favelado). Não existe um movimento Cansei de ônibus lotado, cansei de morar um barraco, cansei de não ter luz, água, cansei de ser desempregao, de ficar na fila do Pronto Socorro, cansei de ser descriminado, enfim, CANSEI DE PASSAR FOME!Porque isso realmente não atinge os 8% da população que anda de avião (ou andou alguma vez na vida), que enfrenta "filas" nos aeroportos, tente enfrentar uma fila no PS Central morrendo de dor...Em tempo, não estou justificando tais mortes, tais contratempos, como se elas fossem menos importante. Mas, até onde sabemos trata-se de um acidente, uma tragédia, e tragédias, muitas vezes, não podem ser evitadas e, tantas vezes, não se trata de problemas sociais ou políticos ( a não ser que se implante isso), pode ser um erro humano, um erro da máquina, fúria da natureza. Isso, infelizmente, não se controla com medidas estatais. Bem sabemos que "não sabemos" o que aconteceu, e talvez nunca venhamos a descobrir o que realmente se passou naquele avião, só vemos e ouvimos informações precipitadas, trocas de acusações. Porém, a questão é que essa dor também não pode ser mais importante que outras. E mais, eu acho que este texto não devia ser escrito por mim, que não senti essa dor, e sim por alguém que a sentiu, já que não temos a capacidade de sentir a dor do outro. Porque a dor deveria nos tornar mais uma humanos, no sentido utópico dessa palavra. Porque não deveríamos achar que a dor de perder um parente dessa forma é maior ou menor que a dor de perder um filho para miséria, a dor de catar papel na rua o dia todo e chegar em casa e não ter o que comer, a dor de não ter um pedaço chão, uma terra, a dor de ver seus filhos passando fome, a dor de não ter um trabalho, a dor de não saber ler, de não saber se defender, a dor de ter um filho assassinado "por engano" em uma viela de São Paulo quando voltava para casa depois de um dia de trabalho, a dor de ser escravo, a dor de ser descriminado por sua cor, por sua roupa, por sua falta ter, a dor de passar pela vida como se ela fosse uma imensa vitrine que só se pode olhar do lado de fora. Dores não devem ser comparadas, devem ser sentidas por todos, porque só quem sente a dor sabe que não importa aonde ela doí, sabe que dor é dor em qualquer lugar, em qualquer pessoa, e todas as dores devem ser importantes. O que deveria acontecer é sentirmos a dor do outro, mas, como doí nele, como se essa pessoa pudesse emanar uma energia que a dor pudesse de todos, porque no final das contas todos nós pagamos pela dor alheia. Ja que só assim agimos, quando a dor doí em nós mesmos, fazemos algo nesse momento porque somos egoístas e só a nossa própria dor nos motiva. A elite e a classe média brasileiras acham que são inatingíveis até a dor chegar a sua porta. Isso não adianta nada como bem vimos, porque continuam na sua redoma de vidro achando que a sua dor é melhor, mais importante, deve ser resolvida primeiro. O mais triste é que nem sentido essa dor deixamos de ser egoístas, como se a dores alheias não nos atingisse, como se a dor de outros não se tornasse raiva, depois violência e gerasse uma busca por culpados, nós bem sabemos que esse é o ciclo da dor. Luta-se para resolver o problema de 8% da população e os outros 92% como fica? Enfim, "onde a dor doí?"

sexta-feira, 27 de julho de 2007

um olhar sobre a periferia

Recentemente eu decidi retomar a minha vontade de fazer mestrado, pesquisar algo, produzir conhecimento. Acordei com isso martelando em minha cabeça um dia, dois, três. E não achava resposta para algo que me emocione, me impulsione. Nisso, nessa confusão de idéias, continuar com o Hip Hop, o movimento visto pela mídia, meios de comunicação? Sei lá, aí fui olhar os meus livros, ganhei vários nos últimos meses, olhei para um "Cenas da Favela", lembrei que tinha outro, uma revista que trazia um amontoado de artigos que debatem esse tema: a favela. Esse leva o nome de Periferia. Na verdade eu nunca entrei em uma favela "de verdade", coloco entra aspas porque todo mundo tem uma visão estereotipada do que é uma favela, aquelas famosas cenas do alto, de um amontoado de casas morro acima, algumas de madeira, outras de concreto, as lages, e um monte de criança correndo descalça. As maiores favelas são assim mesmo, pelo menos é o que parece, mesmo vista de dentro como acontee em alguns filmes, clipes e etc...Essa eu só vi assim mesmo, na tela, na telinha e na telona. Mas, eu entrei sim em favelas na minha cidade, chamados de bairros de periferia, Fortunato Rocha, Jardim Nicéia. Morei em um também, mas, há que diga que esse não é tão periferia assim, vai saber...Não sei, mas sempre tive interesse por essas pessoas, que sorriem mesmo com o pouco que tem, pessoas reais, eu as vejo assim. Pessoas que quando você chega sabe que você não é de lá, mas, te olham com um olhar de espanto, querendo saber o que trouxe para eles e não com olhar de desprezo. Guardo sempre um sorriso, na foto, os meninos comendo cachorro-quente. No entanto, eu não acredito em assistencialismo da forma como as pessoas vêem. Eu acredito em troca, em ações que você que faz e quem recebe levam para a vida toda. Produção de conhecimento, conhecimento é única coisa que você ganha e nunca perde, e quem dá não fica com menos. Voltando ao foco...eu tenho essa mania eu começo a escrever o que vem a cabeça e depois nem sei mais o que queria dizer mesmo... o mestrado. Resolvi que poderia ampliar o que estudei, o movimento Hip Hop nasce na periferia e eu desde meu projeto de iniciação científica mergulhei nisso, na cultura, na história, na parte social que é intrínseca e influência de todas as formas as manifestações culturais. Pensando nessa forma, resolvi que esse seria o local, a representação da periferia pelas pessoas que a conhecem muito bem, de dentro e sabem muito bem a riqueza que ela pode oferecer. Nessa idéia dois escritores eu admiro, um é filho do movimento também, o acompanha de perto e faz um retrato real, emocionante e recente da periferia de São Paulo, o outro eu conheci graças ao professor de língua portuguesa na primeiro ano, depois graças ao meu grande amigo de faculdade que o pesquisou durante mais de um ano, esse retrata os subúrbios da mesma cidade, com sua ruelas,bares,mesas de sinuca e personagens intrigantes. Dois retratos, dois tempo diferentes, mas a mesma forma detalhista e emocionante e real de descrever e retratar um ambiente conhecido de forma geral como PERIFERIA. Muitos passos ainda tem que ser dados para se estabelecer um plano, um projeto de pesquisa, mas, alguma coisa eu sei, quero que seja algo real também, de alguém que conheceu um pedaço apenas, mas, tem a cabeça aberta para apreender todas as fatias dessa realidade periférica.

justificativa para tempo longe

No começo a empolgação, "vou escrever todos os dias", mas os dias passam e nada vem a mente, as coisas vão acontecendo e o pensamento de escrever sobre isso vem, as palavras começam a se arquitetar na mente, viram frases e até parágrafos inteiros, mas, a vontade de sentar em frente a tela passa, ai você senta, mas, as palavras fugiram. Hoje elas voltaram e resolvi escrever...