Essa matéria foi feita por mim e pelo Pedro, nós fomos até o local de trabalho dessas mulheres que aparecem na reportagem. Foi um trabalho muito interessante e acima de tudo importante para se despir dos preconceitos.
O ideal de ser apenas uma condição temporária
“Só pretendo ser do jeito que estou lá na certidão de nascimento. Senhorita Maria de Jesus, a que brilhar na noite do Bar e Boate Primor. Dama. Pra se sentar na minha mesa tem de ser doutor e outros brilhos [...] A senhorita poderia me dar o prazer? E a senhorita Maria de Jesus estende a mão, classe, enquanto o abonado vidra”.
Maria Jesus de Souza (Perfume de gardênia), João Antônio, 1986.
Como Maria de Jesus de Souza, personagem de João Antônio, as meninas daquela casa, também, querem um dia deixar aquela vida, voltar para o que eram na certidão de nascimento. Aproximam-se aos poucos, meio sem graça, carregando no rosto o sono dos trabalhadores noturnos. “Assim que me chamarem eu vou sair dessa vida, porque essa vida ninguém merece”. Aline espera uma vaga na frente de trabalho, e, enquanto essa oportunidade não vem, ela trabalha como garota de programa em uma casa noturna em Bauru. Está lá há pouco tempo. Mas o dinheiro que ganha já essencial para pagar todas as sua despesas.
Elas não sabem, mas têm uma profissão
Cem reais é o preço do programa, um valor que, segundo as meninas, foram elas que estabeleceram, e que pode variar “dependendo da necessidade do bolso”, mas sem depreciar o produto. “O mínimo é cinqüenta reais”. Embora, Aline e suas companheiras de trabalho tenham a noção de preços e valores, não enxergam o que fazem como uma prestação de serviço, um trabalho.
O Ministério do Trabalho reconhece a prostituição como uma atividade profissional dentro das determinações da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). No entanto, ainda não existe uma regulamentação da profissão dentro da legislação trabalhista. O Projeto de Lei do deputado federal Fernando Gabeira (PV), elaborado em 2003 com apoio da Rede Brasileira de Prostitutas, ainda está em tramitação na Câmara dos Deputados. O projeto esbarra no falso moralismo e na hipocrisia da sociedade, que enxerga a prostituição como, unicamente, um reflexo da desigualdade social. A mesma sociedade que recrimina o mercado do sexo é a que o mantém. Reflexo, sim, de umas das leis mais antigas do capitalismo: a da oferta e procura, no caso da prestação do serviço sexual.
Alheia a todas (as discussões sobre regulamentação do trabalho das prostitutas) essas discussões, Aline não vê vantagens na regulamentação ou não da profissão, já que para ela trata-se de uma condição temporária. “Você tem que ganhar o seu dinheiro logo. Se você demora, na sua velhice não vai estar aqui. Eu não me imagino com trinta anos aqui”. Não imagina, até porque, segundo suas estatísticas, não vai demorar muito para sair da casa em que trabalha, até porque sente vergonha do trabalho que realiza.
A Daspu, uma grife confeccionada pelas prostitutas ligadas a ONG Davida (Prostituição, Direitos Civis e Saúde) do Rio de Janeiro, é citada como uma iniciativa de mulheres que vêem a prostituição como um trabalho igual a qualquer outro, com seus deveres e direitos. Aline ouve pensativa a explicação sobre a grife, mas se diz disposta a empregar sua força de trabalho em uma iniciativa que mude o rumo de sua vida. Fez inscrição na frente de trabalho antes de se tornar garota de programa. Sente medo de que conhecidos descubram o que realmente faz.
Não seria menor a culpa das meninas se elas, no mínimo, enxergassem o serviço que prestam exigível de pagamento? A influência da marginalização a qual a profissão está submetida influi diretamente no comportamento das meninas. Aline não observa méritos em seu trabalho, tampouco se vê como uma profissional do sexo. “Eu tenho vergonha de mostrar para os outros”. Suas palavras soam a culpa de uma “criminosa”. Mas ganhar dinheiro dessa forma seria crime? Não judicialmente, mas moralmente na cabeça das meninas. Moral esta que, ao menos, deixa de perturbá-las quando o assunto são os benefícios trazidos pelo dinheiro.
O dinheiro entra em cena
“Pó-pó-pó-pó-pó-ró-pó-pó não marca, o que fala é a grana”.
João Antônio, 1986.
O que você já fez de melhor com o seu dinheiro? Aline pensa um pouco antes de responder. “Ajudei minha mãe, minha filha”. Ao fundo uma das meninas fala em tom de brincadeira: “comprei muita droga”, mas, logo desfaz a afirmação contando que ajudou a mãe a erguer sua casa. A ação de ajudar alguém com o dinheiro que ganha parece diminuir um pouco a sensação de estar cometendo um “crime”, mesmo que moral.
Ação que apresenta traços do que Karl Marx determinou como “alienação”. “O indivíduo, à medida que vai vendo aquilo como algo estranho, vai sentindo como sacrifício e mortificação o processo de trabalho. Ele tem uma atividade, mas como ele não se identifica na atividade que exerce e nas coisas que produz, para ele aquilo é um sacrifício”, explica Luis Fernando da Silva, professor do Departamento de Ciências Humanas da Unesp de Bauru. Uma sensação de repulsa da atividade exercida acompanha as meninas no seu dia-a-dia na casa noturna. "A gente ouve muitas coisas ruins", relembra Aline.
Histórias de vida e justificativas pessoais à parte, a relação de mercado na prostituição é igual a qualquer outra no capitalismo. “Na verdade temos que tratá-lo como mercado de troca sexual, embora ele tenha uma questão simbólica na identificação entre clientes e essas pessoas”, ressalta o professor Luis Fernando.
As meninas ali não têm a noção de que estão inseridas nesse “mercado” e que vendem suas “qualificações”. Segundo Luis Fernando, existem “qualificações de tipos de pessoas. Que vão desde corpóreas, visuais, até habilidades sexuais, acúmulo de conhecimento nessa área”. Porém, as relações capitalistas estão muito presentes no cotidiano das meninas, tanto que se refletem nas falas e explicações.
Aline comenta a multa que precisa ser paga quando a menina sai da casa para fazer o programa fora. “A casa que coloca a multa, deve ser uns 80 reais”, e funciona semelhante a uma rescisão de contrato - um reembolso da relação da garota de programa com a casa, que, também, é de troca. As meninas têm um local para dormir e comer e, em contrapartida, funcionam como uma espécie de atrativo a mais para o estabelecimento.
Como no comércio, que tem seus períodos de intensas vendas, no mercado do sexo, também, existe a época de maior atividade e produtividade. Dessa vez quem falou foi Amanda. “Do mês cinco em diante é melhor, porque aí já passou natal, páscoa, dia das mães, as festas, aí o pessoal vai juntando mais dinheiro pra gastar com nós... fofas”.
Quando o assunto é o que mais vende dentro deste mercado, afinal, qual é o diferencial de uma menina para outra? O que faz com quem uma tenha sempre clientes, às vezes até fixos, e outras não? Aline não sabe dizer o porquê. Arrisca a questão da idade, que funciona matematicamente numa equivalência das grandezas proporcionais. Quanto mais novas, mais requisitadas. “Quando os caras vêem uma mulher de trinta anos já falam: ‘e aquela coroa ali’”.
Não acredita na aparência como ponto forte. “Tem uns clientes chatos que ligam para aparência, mas não são todos”. A garota acha que o diferencial está na personalidade, “na forma de tratar o cliente”. No entanto, não descarta a importância de estar produzida, afinal, a casa é como uma grande vitrine e quem estão expostas ali são as próprias meninas.
Não se trata de observar as meninas como “pessoas-objeto”, mas, de notar que se está oferecendo a sua força de trabalho, enquanto profissionais do sexo – e pelo preço que elas mesmas estipularam. “Você não está indo porque gosta, você está indo pelo dinheiro, por causa do dinheiro”.
O dinheiro levanta a casa, mas não diminui a vergonha
“Se isto for boa vida, berimbau é gaita-de-fole e paralelepípedo, pão-de-ló”
João Antônio, 1986.
Campanhas como “Sem vergonha, garota. Você tem profissão”, lançada pela Coordenação Nacional de DSTs e Aids; Jornal “Beijo da Rua”, publicação da ONG Davida; a já citada Daspu, entre outras iniciativas, não surtem efeito no interior, apontando para uma característica: o amadorismo que predomina entre as profissionais do sexo. Essa falta de consciência da profissão, aliada às próprias condições de trabalho – e os motivos, quase sempre desfavoráveis, que levaram as meninas até a casa noturna e à vida de garota de programa – acabam relegando essas mulheres ao submundo do trabalho. Submissão justificada pelo dinheiro. Dignidade adquirida pela possibilidade de reconstruir a vida.
Aline não se diz contente com o que faz. Volta a já citada vergonha. “Se não fosse assim, eu trabalhava na minha cidade mesmo”. Mas, a vida carregada de culpa, que clama por outros caminhos, logo entra em contradição quando o assunto é a casa ou o dinheiro que ganha. “Trabalhar ali é muito bom, dá para ganhar dinheiro”. Recorda que foi a própria irmã que a fez conhecer a vida na casa noturna. “Minha irmã já levantou a casa e já tem os móveis”, justifica. Nesse sentido o dinheiro parece compensar as atitudes por parte dos clientes, que elas têm que aceitar. “Quando você entra no quarto, não sabe o que vai acontecer, o cara pode puxar seu cabelo, te xingar, alguma coisa vai acontecer”.
A palavra “sexo” parece não fazer parte do vocabulário delas. Tampouco se pronunciam sobre as coisas que fazem dentro do quarto. Preferem dizer “programa”, termo genérico que se aproxima mais da relação de mercado entre elas e da oferta de suas “habilidades”. Termo que absolve parte da vergonha da prática sexual mediante pagamento. Mas que não tira o brilho do sacrifício das coisas que conquistaram com o dinheiro. Um jogo de culpa e justificativa. Amanda fala mais uma vez. “Entrei numa condição: trabalhar, cuidar do meu filho e construir a minha casa”.
A acumulação do capital faz gerar os primeiros frutos, que devem ser cuidados com apuro. “Se você não souber usar, você acaba gastando”, lembra Aline. O dinheiro as faz carregarem o desejo de construir. A construção de uma casa. De uma vida. “A vida é cheia de sonhos”.
Eu...algumas palavras que me definem: jornalista, apaixonada, insegura, ansiosa, amiga...um sentimento que me move todos os dias: saudade..saudade imensa de tudo que eu vivi, que eu vivo e que eu vou viver...fiz isso para poder escrever, uma coisa que eu gosto, desde criança...deve ser por isso que escolhi ser jornalista...
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
minhas matérias...em breve
Durante a faculdade e em alguns locais que eu escrevi, fiz matérias que eu gostei muito e resolvi usar esse meu espaço para colocar esses escritos aqui, minhas matérias...um pouquinho do que eu sou como jornalista, mas, primeiro eu preciso levantar todo o material e escolher o que vou colocar aqui. Em breve...
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
com um pouco de atraso
Olá, bom eu fiquei um bom tempo sem escrever nada aqui, não que isso tenha muita importância porque praticamente esse é um blog não visitado, por minha culpa eu sei já que não o divulgo muito, mas, muitas vezes prefiro que seja assim. Bom algumas coisas eu fiz, já coloquei o link no meu orkut, quer site mais visitado que o orkut.
Bom, eu vim escrever hoje sobre algo que já tinha postado aqui e na ocasião falei que ia escrever sobre isso. A passagem do Mano Brown no Roda Viva. Minhas impressões sobre esse dia inusitado e raro, e só por isso, só pela imagem daquele ser humano alí no meio da "roda viva", só isso já valeria a pena ligar a TV. Mas, enfim, não foi só isso. Mano Brown começou um pouco tímido, acho que é da personalidade dele mesmo, um homem de poucas, porém, intensas palavras. Como faz um tempo que isso aconteceu e minha memória é boa, mas nem tanto, eu tenho guardada algumas passagens dele, como quando ele falou sobre o Lula, que o presidente agiu da forma correta, ele não poderia entregar os amigos, ser um traidor. Uma regra simples e que é muito respeitada na favela, irmão é irmão, a lealdade é uma qualidade imprescindível. Foi marcante também quando ele falou que não quer ser exemplo para ninguém, embora seja, que ele na verdade não é exemplo nem para o filhos, que quando está em local desequilibra o ambiente, por isso vive muito na dele, é um "pai ausente". Uma verdade, realmente sua presença é monumental, é inquietante, pelo simples fato de ser quem ele é, de ser o cara que canta o que canta e de sua forma singular, o verdadeiro poeta do gueto. Alguns entrevistados insistiram em fazer dele um deus, falar que ele tinha que apresentar uma solução pelo rap, pelo movimento, mas, ele não precisa fazer isso, ele nunca disse que fazia isso, muito menos o Racionais ou até mesmo o movimento Hip Hop pode fazer pouco se não houver uma verdadeira mudança no interior das pessoas, todas as pessoas, não importa classe, cor ou qualquer outra característica que nós classifica como assim ou assado. Isso decepcionou alguns, como o jornalista Renato Lombardi, que disse em uma palestra que deu na semana seguinte que o mito tinha se desfeito. Uma frase se encaixa perfeitamente nesse contexto, "não entende o que eu sou, num entende o que eu faço, não entende a dor e as lágrimas do palhaço". Eu conheço um pouco da história dos Racionais, um pouco mesmo porque os caras são bem fechados, dão raras entrevistas, eu tenho todos os cds deles, o DVD e sempre acompanho o que consigo sobre eles, meu trablho de iniciação científica na faculdade foi sobre eles, analisei três músicas deles através da teoria de análise do discurso. Não sei se foi um trabalho muito fiel ao que eles queriam passar, porque isso é muito pessoal, só falando com eles mesmos para saber o que realmente queriam falar. Isso nem o Mano Brown respondeu ao ser perguntado sobre um trecho de uma música. Diante disso, eu posso dizer que para mim essa coisa de mito nunca existiu. Para mim ele, Mano Brown, é um ser humano, contraditório como ele mesmo disse, como todos somos, mas, com uma visão muito clara e ética do que é ser negro, favelado e brasileiro. E isso ele não precisa provar para ninguém, nem ali naquela roda. Isso está em suas letras, na sua música e nas coisas que ele faz no Capão, o que eu sei muito pouco, só sei pelas coisas que li sobre o Ferréz, ele comenta algumas vezes sobre projetos do Brown. Para mim só o fato de alguém escrever o que ele escreve já vale a importância que lhe dão. Minha visão pode ser um tanto parcial, afinal eu tenho uma admiração de fã pelo artista Mano Brown, no entanto, pouco sabia dele como ser humano e no fim, pode ser dizer que eu soube um pouco mais, e não me decepcionei em nenhum momento. Para ele pouco importa o que a "finada classe média" vai achar dessa entrevista, ou até mesmo de toda a sua obra. Acredito que algumas coisas faltaram ser discutidas, mas, isso foi um erro na escolha de entrevistados. Faltou falar de novos trabalhos, de epsódio marcantes como os tumultos em shows, a vontade que ele teve de acabar com o grupo após a morte de um garoto no show que acabou não acontecendo aqui em Bauru, enfim, algumas perguntas ficaram sem resposta, mas, nada que desfizesse a importância da presença daquele ser no meio da roda. Enfim, "Cada favelado é um universo em crise", Mano Brown sabe bem disso.
Bom, eu vim escrever hoje sobre algo que já tinha postado aqui e na ocasião falei que ia escrever sobre isso. A passagem do Mano Brown no Roda Viva. Minhas impressões sobre esse dia inusitado e raro, e só por isso, só pela imagem daquele ser humano alí no meio da "roda viva", só isso já valeria a pena ligar a TV. Mas, enfim, não foi só isso. Mano Brown começou um pouco tímido, acho que é da personalidade dele mesmo, um homem de poucas, porém, intensas palavras. Como faz um tempo que isso aconteceu e minha memória é boa, mas nem tanto, eu tenho guardada algumas passagens dele, como quando ele falou sobre o Lula, que o presidente agiu da forma correta, ele não poderia entregar os amigos, ser um traidor. Uma regra simples e que é muito respeitada na favela, irmão é irmão, a lealdade é uma qualidade imprescindível. Foi marcante também quando ele falou que não quer ser exemplo para ninguém, embora seja, que ele na verdade não é exemplo nem para o filhos, que quando está em local desequilibra o ambiente, por isso vive muito na dele, é um "pai ausente". Uma verdade, realmente sua presença é monumental, é inquietante, pelo simples fato de ser quem ele é, de ser o cara que canta o que canta e de sua forma singular, o verdadeiro poeta do gueto. Alguns entrevistados insistiram em fazer dele um deus, falar que ele tinha que apresentar uma solução pelo rap, pelo movimento, mas, ele não precisa fazer isso, ele nunca disse que fazia isso, muito menos o Racionais ou até mesmo o movimento Hip Hop pode fazer pouco se não houver uma verdadeira mudança no interior das pessoas, todas as pessoas, não importa classe, cor ou qualquer outra característica que nós classifica como assim ou assado. Isso decepcionou alguns, como o jornalista Renato Lombardi, que disse em uma palestra que deu na semana seguinte que o mito tinha se desfeito. Uma frase se encaixa perfeitamente nesse contexto, "não entende o que eu sou, num entende o que eu faço, não entende a dor e as lágrimas do palhaço". Eu conheço um pouco da história dos Racionais, um pouco mesmo porque os caras são bem fechados, dão raras entrevistas, eu tenho todos os cds deles, o DVD e sempre acompanho o que consigo sobre eles, meu trablho de iniciação científica na faculdade foi sobre eles, analisei três músicas deles através da teoria de análise do discurso. Não sei se foi um trabalho muito fiel ao que eles queriam passar, porque isso é muito pessoal, só falando com eles mesmos para saber o que realmente queriam falar. Isso nem o Mano Brown respondeu ao ser perguntado sobre um trecho de uma música. Diante disso, eu posso dizer que para mim essa coisa de mito nunca existiu. Para mim ele, Mano Brown, é um ser humano, contraditório como ele mesmo disse, como todos somos, mas, com uma visão muito clara e ética do que é ser negro, favelado e brasileiro. E isso ele não precisa provar para ninguém, nem ali naquela roda. Isso está em suas letras, na sua música e nas coisas que ele faz no Capão, o que eu sei muito pouco, só sei pelas coisas que li sobre o Ferréz, ele comenta algumas vezes sobre projetos do Brown. Para mim só o fato de alguém escrever o que ele escreve já vale a importância que lhe dão. Minha visão pode ser um tanto parcial, afinal eu tenho uma admiração de fã pelo artista Mano Brown, no entanto, pouco sabia dele como ser humano e no fim, pode ser dizer que eu soube um pouco mais, e não me decepcionei em nenhum momento. Para ele pouco importa o que a "finada classe média" vai achar dessa entrevista, ou até mesmo de toda a sua obra. Acredito que algumas coisas faltaram ser discutidas, mas, isso foi um erro na escolha de entrevistados. Faltou falar de novos trabalhos, de epsódio marcantes como os tumultos em shows, a vontade que ele teve de acabar com o grupo após a morte de um garoto no show que acabou não acontecendo aqui em Bauru, enfim, algumas perguntas ficaram sem resposta, mas, nada que desfizesse a importância da presença daquele ser no meio da roda. Enfim, "Cada favelado é um universo em crise", Mano Brown sabe bem disso.
sábado, 8 de dezembro de 2007
Hip Hop no ar
Vou aproveitar o meu espaço aqui para falar do programa de hip hop que vai passar na Rádio Unesp de Bauru 105 FM. HIP HOP NO AR com produção e locução minha e do Pedro meu grande amigo serão 4 edições nos próximos domingos de dezembro a partir de amanhã. Ás três horas da tarde.Para todos até para quem não conhece o movimento muito bem porque vai falar da história do movimento nos Estados Unidos, no Brasil, sobre os quatro elementos e história do movimento na minha cidade, Bauru. Dá para ouvir na internet também - www.unesp.br - é só clicar no link da Rádio. Uma colaboração nossa para esse movimento que eu admiro tanto. Queria poder fazer mais, que o programa fizesse parte da grade da rádio, mas, infelizmente poor enquanto é que podemos fazer.
HIP HOP NO AR TODOS OS DOMINGOS DE DEZEMBRO 9, 16,23 2 30 DE DEZEMBRO. RÁDIO UNESP 105 FM BAURU-SP
HIP HOP NO AR TODOS OS DOMINGOS DE DEZEMBRO 9, 16,23 2 30 DE DEZEMBRO. RÁDIO UNESP 105 FM BAURU-SP
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
a elite e sua tropa e meus devaneios
Eu falei que ia escrever sobre o minhas impressões do programa roda viva com Mano Brown, mas, me aconteceu algo no caminho. Eu fui assistir o filme Tropa de Elite. Fazia tempo que eu não saia de uma sessão tão arrasada, a noite eu nem conseguia dormir, ficava pensando em toda aquela ficção criada a partir de uma realidade, ou uma realidade ficcional, uma ficção real, sei lá é um tanto difícil descrever a sensação de tensão que passei. Depois aquela sensação de que mundo é esse que a gente vive, coisa mais ingênua de quem não se tocou da realidade que vivemos. Mas, não é isso que eu senti não, não uma visão inocente, não foi isso, foi um sensação de impotência diante de um mundo onde todos são culpados. A gente saí do cinema revoltado, no entanto, depois de cinco minutos estamos pensando em que vamos fazer depois, tomar sol na sexta de feriado, fazer algo no fim de semana. Seguimos nossa vida como se aquilo não fosse nossa responsabilidade também, como se só porque fuma um baseado de vez quando isso não te faz responsável e umas das pontas desse esquema de criminalidade gerado pelo tráfico. Aí pensei na profissão que eu escolhi pensei no que nós fazemos para melhorar isso, nós os formadores de opinião, depois pensei no meu mestrado, fiquei com vontade de não fazer mais nada, ficar sentada na poltrona num dia de domingo esperando a morte chegar. Mais tarde você se toca e vê que é um filme, uma visão sobre algo que pode ser verdade ou não. Como nós somos curiosos ou alguns de nós, tudo que é relativo a algo que nos marca chama atenção de algum modo. Comecei a ver a opinião, a leitura de várias pessoas acerca do filme e, enfim, nós concluimos que cada um vê sob a perspectiva que mais lhe convém. Para alguns o Capitão Nascimento é personificação de um herói, aquele que falta a nossa sociedade, para outros o filme é reacionário ao mostrar o playboy que fuma maconha como culpado e a truculencia da polícia como a única forma de salvação. Preconceituoso ao mostrar uma classe média sem senso crítico algum, perigoso ao banalizar a violência. Mas, no fundo se torna reacionário, preconceituoso, perigoso porque a sociedade que frenqüenta os cinemas é assim. Os garotinhos que aplaudem o Capitão Nascimento são assim. Nós banalizamos há muito tempo a violência. No fim ninguém repara no mais importante, no quanto é difícil viver conforme a nossa consciência, do quanto é preciso ter coragem para assumir que a forma como a realidade caminha não é justa e ter coragem para negar essa realidade e não participar dela. Não colaborar com o vazio, o vazio...esse fim eu só consegui escrever depois de uma conversa que tive hoje de manhã. Fiquei muitos dias em crise, pelo filme, por não ter passado no mestrado, por enxergar apenas derrotas nesse ano, enxergar um vazio imenso sobre o que eu vivo realmente e o que eu queria viver, sobre o que eu sou e o que quero ser, sobre viver o que eu acredito ou o que esperam de mim. Ser coerente é um ato de coragem. Como Mano Brown afirmou, o ser humano é contraditório. Só queria ser menos, viver menos nas relações artificiais e viver mais no real, no sólido. É engraçado como as linhas são dispersas, tudo que eu escrevo é uma colcha de retalhos, acho que foi por isso que não passei na prova, a minha cabeça não consegue se focar em algo e isso se reflete no que eu sou, no que escrevo, no que quero e cada dia fica mais difícil seguir um único caminho, até na hora de escrever nesse blog. Eu sento com uma idéia e só vem devaneios. Acho que vou repensar isso antes de me expressar. Afinal para que servem os rascunhos?
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
cenas do próximo capítulo
Nessa segunda aconteceu algo inusitado, Mano Brown, que por muitos é chamado de líder dos Racionais MC´s fez uma rara aparição na televisão. No Roda Viva da TV Cultura. Quero escrever algo sobre isso, mas, tem que ser algo bem pensado, como uma crítica, mas, qum sou para fazer isso, não é? Portanto, tem que ser algo bem produzido. Porém, já fica a deixa do meu próximo texto.
uma chance perdida, uma experiência guardada
O tema era quem eu sou e por que eu escolhi o jornalismo, com 4.000 caracteres, eu até comecei a escrever em bloquinho que eu passei a levar em todos os lugares, meus únicos companheiros, o bloquinho e a caneta. Pena porque ele está acabando, as páginas que a cerca de dois meses eram brancas, hoje estão cheias de rabiscos em azul, preto e vermelho. Rabiscos dos mais variados e em uma seqüência, bom, acho que não pode ser chamada assim porque não existe seqüencia alguma. Ele reflete a minha vida nesses dois últimos meses, quando eu resolvi que queria fazer mestrado. No começo eu tinha um foco, lia todos os dias, escrevia vários pontos interessantes dos livros. Estava em um ritmo legal (a palavra incabível) para quem tinha uma semana certinha, sete míseros dias para cerca de 300 ou 400 páginas de pura comunicação e seus desdobramentos, bom acho que os desdobramentos da comunicação podem ser classificados como toda a nossa realidade, que não existe sem uma mediação, sem uma forma de comunicar. Só que isso não cabe no que escrevo agora. Só que nessa medida exata, sete dias para cada livro até o dia da prova, algo nada exato, nada planejado aconteceu...Rio de Janeiro...Em dois dias eu tinha qu estar em uma cidade que só vi na televisão, uma cidade que nunca tinha ido, mas, já tinha visitado várias vezes pelos mass media, vou usá-lo já que o termo permeia todo o Teorias da Comunicação que agora tento ler o mais rápido possível. Correria e em dois dias eu estou na Cidade Maravilhosa, não quero fazer um diário de bordo aqui. Ficam registradas só as impressões...primeira visita, a realidade como ela é, sem uma tela, uma foto, ou qualquer outro recurso representativo de uma realidade, o filtro só os meus olhos e aquilo que não consegui ver, literalmente "de frente para o mar de costas para favela", nem sei bem se é de costas é a palavra. Uma cidade grande, tenho que preservar minha origem caipira, é grande, mas, diferente do concretão da capital paulista. No mesmo ecosistema: correria, carros, ônibus,trem, linha vermelha, linha amarela,praia, verde, concordando ou não a terceira maravilha do mundo (o Cristo), pão-de-açucar, bondinho, copacabana, ipanema, barra da tijuca...duas visitas em menos de uma semana e eu que pensava que nunca ia ver a Favela da Rocinha. Mas, eu vi. Parecia uma árvore de natal, deve ser porque eu a vi de noite. Bom não importa, porque foi apenas um flauner, só uma passagem, bem por cima, só algumas impressões. Deu uma vontade de morar lá sim, de conseguir o emprego que me levou até lá, de ampliar o horizonte. Mas foi apenas uma visita, uma visita diferente, que mudou algumas coisas dentro das minhas perspectivas, no entanto, eu ainda não sei exteriorizar isso de forma clara, por isso um embaralhado de palavras no exposto aqui. Uma história que começou com a chance que eu perdi no Curso de Jornalismo da Abril e terminou com a minha experiência na Cidade Maravilhosa, guardada...Esqueci do Maracanã...mas ele estava lá sim, imponente...eu também.
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