segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

com um pouco de atraso

Olá, bom eu fiquei um bom tempo sem escrever nada aqui, não que isso tenha muita importância porque praticamente esse é um blog não visitado, por minha culpa eu sei já que não o divulgo muito, mas, muitas vezes prefiro que seja assim. Bom algumas coisas eu fiz, já coloquei o link no meu orkut, quer site mais visitado que o orkut.
Bom, eu vim escrever hoje sobre algo que já tinha postado aqui e na ocasião falei que ia escrever sobre isso. A passagem do Mano Brown no Roda Viva. Minhas impressões sobre esse dia inusitado e raro, e só por isso, só pela imagem daquele ser humano alí no meio da "roda viva", só isso já valeria a pena ligar a TV. Mas, enfim, não foi só isso. Mano Brown começou um pouco tímido, acho que é da personalidade dele mesmo, um homem de poucas, porém, intensas palavras. Como faz um tempo que isso aconteceu e minha memória é boa, mas nem tanto, eu tenho guardada algumas passagens dele, como quando ele falou sobre o Lula, que o presidente agiu da forma correta, ele não poderia entregar os amigos, ser um traidor. Uma regra simples e que é muito respeitada na favela, irmão é irmão, a lealdade é uma qualidade imprescindível. Foi marcante também quando ele falou que não quer ser exemplo para ninguém, embora seja, que ele na verdade não é exemplo nem para o filhos, que quando está em local desequilibra o ambiente, por isso vive muito na dele, é um "pai ausente". Uma verdade, realmente sua presença é monumental, é inquietante, pelo simples fato de ser quem ele é, de ser o cara que canta o que canta e de sua forma singular, o verdadeiro poeta do gueto. Alguns entrevistados insistiram em fazer dele um deus, falar que ele tinha que apresentar uma solução pelo rap, pelo movimento, mas, ele não precisa fazer isso, ele nunca disse que fazia isso, muito menos o Racionais ou até mesmo o movimento Hip Hop pode fazer pouco se não houver uma verdadeira mudança no interior das pessoas, todas as pessoas, não importa classe, cor ou qualquer outra característica que nós classifica como assim ou assado. Isso decepcionou alguns, como o jornalista Renato Lombardi, que disse em uma palestra que deu na semana seguinte que o mito tinha se desfeito. Uma frase se encaixa perfeitamente nesse contexto, "não entende o que eu sou, num entende o que eu faço, não entende a dor e as lágrimas do palhaço". Eu conheço um pouco da história dos Racionais, um pouco mesmo porque os caras são bem fechados, dão raras entrevistas, eu tenho todos os cds deles, o DVD e sempre acompanho o que consigo sobre eles, meu trablho de iniciação científica na faculdade foi sobre eles, analisei três músicas deles através da teoria de análise do discurso. Não sei se foi um trabalho muito fiel ao que eles queriam passar, porque isso é muito pessoal, só falando com eles mesmos para saber o que realmente queriam falar. Isso nem o Mano Brown respondeu ao ser perguntado sobre um trecho de uma música. Diante disso, eu posso dizer que para mim essa coisa de mito nunca existiu. Para mim ele, Mano Brown, é um ser humano, contraditório como ele mesmo disse, como todos somos, mas, com uma visão muito clara e ética do que é ser negro, favelado e brasileiro. E isso ele não precisa provar para ninguém, nem ali naquela roda. Isso está em suas letras, na sua música e nas coisas que ele faz no Capão, o que eu sei muito pouco, só sei pelas coisas que li sobre o Ferréz, ele comenta algumas vezes sobre projetos do Brown. Para mim só o fato de alguém escrever o que ele escreve já vale a importância que lhe dão. Minha visão pode ser um tanto parcial, afinal eu tenho uma admiração de fã pelo artista Mano Brown, no entanto, pouco sabia dele como ser humano e no fim, pode ser dizer que eu soube um pouco mais, e não me decepcionei em nenhum momento. Para ele pouco importa o que a "finada classe média" vai achar dessa entrevista, ou até mesmo de toda a sua obra. Acredito que algumas coisas faltaram ser discutidas, mas, isso foi um erro na escolha de entrevistados. Faltou falar de novos trabalhos, de epsódio marcantes como os tumultos em shows, a vontade que ele teve de acabar com o grupo após a morte de um garoto no show que acabou não acontecendo aqui em Bauru, enfim, algumas perguntas ficaram sem resposta, mas, nada que desfizesse a importância da presença daquele ser no meio da roda. Enfim, "Cada favelado é um universo em crise", Mano Brown sabe bem disso.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Hip Hop no ar

Vou aproveitar o meu espaço aqui para falar do programa de hip hop que vai passar na Rádio Unesp de Bauru 105 FM. HIP HOP NO AR com produção e locução minha e do Pedro meu grande amigo serão 4 edições nos próximos domingos de dezembro a partir de amanhã. Ás três horas da tarde.Para todos até para quem não conhece o movimento muito bem porque vai falar da história do movimento nos Estados Unidos, no Brasil, sobre os quatro elementos e história do movimento na minha cidade, Bauru. Dá para ouvir na internet também - www.unesp.br - é só clicar no link da Rádio. Uma colaboração nossa para esse movimento que eu admiro tanto. Queria poder fazer mais, que o programa fizesse parte da grade da rádio, mas, infelizmente poor enquanto é que podemos fazer.

HIP HOP NO AR TODOS OS DOMINGOS DE DEZEMBRO 9, 16,23 2 30 DE DEZEMBRO. RÁDIO UNESP 105 FM BAURU-SP

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

a elite e sua tropa e meus devaneios

Eu falei que ia escrever sobre o minhas impressões do programa roda viva com Mano Brown, mas, me aconteceu algo no caminho. Eu fui assistir o filme Tropa de Elite. Fazia tempo que eu não saia de uma sessão tão arrasada, a noite eu nem conseguia dormir, ficava pensando em toda aquela ficção criada a partir de uma realidade, ou uma realidade ficcional, uma ficção real, sei lá é um tanto difícil descrever a sensação de tensão que passei. Depois aquela sensação de que mundo é esse que a gente vive, coisa mais ingênua de quem não se tocou da realidade que vivemos. Mas, não é isso que eu senti não, não uma visão inocente, não foi isso, foi um sensação de impotência diante de um mundo onde todos são culpados. A gente saí do cinema revoltado, no entanto, depois de cinco minutos estamos pensando em que vamos fazer depois, tomar sol na sexta de feriado, fazer algo no fim de semana. Seguimos nossa vida como se aquilo não fosse nossa responsabilidade também, como se só porque fuma um baseado de vez quando isso não te faz responsável e umas das pontas desse esquema de criminalidade gerado pelo tráfico. Aí pensei na profissão que eu escolhi pensei no que nós fazemos para melhorar isso, nós os formadores de opinião, depois pensei no meu mestrado, fiquei com vontade de não fazer mais nada, ficar sentada na poltrona num dia de domingo esperando a morte chegar. Mais tarde você se toca e vê que é um filme, uma visão sobre algo que pode ser verdade ou não. Como nós somos curiosos ou alguns de nós, tudo que é relativo a algo que nos marca chama atenção de algum modo. Comecei a ver a opinião, a leitura de várias pessoas acerca do filme e, enfim, nós concluimos que cada um vê sob a perspectiva que mais lhe convém. Para alguns o Capitão Nascimento é personificação de um herói, aquele que falta a nossa sociedade, para outros o filme é reacionário ao mostrar o playboy que fuma maconha como culpado e a truculencia da polícia como a única forma de salvação. Preconceituoso ao mostrar uma classe média sem senso crítico algum, perigoso ao banalizar a violência. Mas, no fundo se torna reacionário, preconceituoso, perigoso porque a sociedade que frenqüenta os cinemas é assim. Os garotinhos que aplaudem o Capitão Nascimento são assim. Nós banalizamos há muito tempo a violência. No fim ninguém repara no mais importante, no quanto é difícil viver conforme a nossa consciência, do quanto é preciso ter coragem para assumir que a forma como a realidade caminha não é justa e ter coragem para negar essa realidade e não participar dela. Não colaborar com o vazio, o vazio...esse fim eu só consegui escrever depois de uma conversa que tive hoje de manhã. Fiquei muitos dias em crise, pelo filme, por não ter passado no mestrado, por enxergar apenas derrotas nesse ano, enxergar um vazio imenso sobre o que eu vivo realmente e o que eu queria viver, sobre o que eu sou e o que quero ser, sobre viver o que eu acredito ou o que esperam de mim. Ser coerente é um ato de coragem. Como Mano Brown afirmou, o ser humano é contraditório. Só queria ser menos, viver menos nas relações artificiais e viver mais no real, no sólido. É engraçado como as linhas são dispersas, tudo que eu escrevo é uma colcha de retalhos, acho que foi por isso que não passei na prova, a minha cabeça não consegue se focar em algo e isso se reflete no que eu sou, no que escrevo, no que quero e cada dia fica mais difícil seguir um único caminho, até na hora de escrever nesse blog. Eu sento com uma idéia e só vem devaneios. Acho que vou repensar isso antes de me expressar. Afinal para que servem os rascunhos?

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

cenas do próximo capítulo

Nessa segunda aconteceu algo inusitado, Mano Brown, que por muitos é chamado de líder dos Racionais MC´s fez uma rara aparição na televisão. No Roda Viva da TV Cultura. Quero escrever algo sobre isso, mas, tem que ser algo bem pensado, como uma crítica, mas, qum sou para fazer isso, não é? Portanto, tem que ser algo bem produzido. Porém, já fica a deixa do meu próximo texto.

uma chance perdida, uma experiência guardada

O tema era quem eu sou e por que eu escolhi o jornalismo, com 4.000 caracteres, eu até comecei a escrever em bloquinho que eu passei a levar em todos os lugares, meus únicos companheiros, o bloquinho e a caneta. Pena porque ele está acabando, as páginas que a cerca de dois meses eram brancas, hoje estão cheias de rabiscos em azul, preto e vermelho. Rabiscos dos mais variados e em uma seqüência, bom, acho que não pode ser chamada assim porque não existe seqüencia alguma. Ele reflete a minha vida nesses dois últimos meses, quando eu resolvi que queria fazer mestrado. No começo eu tinha um foco, lia todos os dias, escrevia vários pontos interessantes dos livros. Estava em um ritmo legal (a palavra incabível) para quem tinha uma semana certinha, sete míseros dias para cerca de 300 ou 400 páginas de pura comunicação e seus desdobramentos, bom acho que os desdobramentos da comunicação podem ser classificados como toda a nossa realidade, que não existe sem uma mediação, sem uma forma de comunicar. Só que isso não cabe no que escrevo agora. Só que nessa medida exata, sete dias para cada livro até o dia da prova, algo nada exato, nada planejado aconteceu...Rio de Janeiro...Em dois dias eu tinha qu estar em uma cidade que só vi na televisão, uma cidade que nunca tinha ido, mas, já tinha visitado várias vezes pelos mass media, vou usá-lo já que o termo permeia todo o Teorias da Comunicação que agora tento ler o mais rápido possível. Correria e em dois dias eu estou na Cidade Maravilhosa, não quero fazer um diário de bordo aqui. Ficam registradas só as impressões...primeira visita, a realidade como ela é, sem uma tela, uma foto, ou qualquer outro recurso representativo de uma realidade, o filtro só os meus olhos e aquilo que não consegui ver, literalmente "de frente para o mar de costas para favela", nem sei bem se é de costas é a palavra. Uma cidade grande, tenho que preservar minha origem caipira, é grande, mas, diferente do concretão da capital paulista. No mesmo ecosistema: correria, carros, ônibus,trem, linha vermelha, linha amarela,praia, verde, concordando ou não a terceira maravilha do mundo (o Cristo), pão-de-açucar, bondinho, copacabana, ipanema, barra da tijuca...duas visitas em menos de uma semana e eu que pensava que nunca ia ver a Favela da Rocinha. Mas, eu vi. Parecia uma árvore de natal, deve ser porque eu a vi de noite. Bom não importa, porque foi apenas um flauner, só uma passagem, bem por cima, só algumas impressões. Deu uma vontade de morar lá sim, de conseguir o emprego que me levou até lá, de ampliar o horizonte. Mas foi apenas uma visita, uma visita diferente, que mudou algumas coisas dentro das minhas perspectivas, no entanto, eu ainda não sei exteriorizar isso de forma clara, por isso um embaralhado de palavras no exposto aqui. Uma história que começou com a chance que eu perdi no Curso de Jornalismo da Abril e terminou com a minha experiência na Cidade Maravilhosa, guardada...Esqueci do Maracanã...mas ele estava lá sim, imponente...eu também.

sábado, 25 de agosto de 2007

não seria melhor cansei de ser egoísta?

Eu pensei muito se realmente deveria escrever sobre isso. Será que não mexer e feridas ainda abertas? Achei melhor não levantar polêmicas. Depois, fiquei pensando muito nisso e criando umas frases na minha cabeça, uma manhã inteira, arrumando a casa e pensando nisso. Aí eu refleti, quem eu sou afinal de contas? Quem vai se importar com uma recém-formada em jornalismo, desempregada que escreve em um blog que quase ninguém visita? Então...foda-se né...Quem disse que a gente precisa agradar todo mundo, um cara que eu admiro muito, uma vez disse em uma música "Eu queria saber o segredo do sucesso, porque do fracasso é agradar a todo mundo"*.Assim sendo, vou escrever sobre o acidente do vôo 3054 da TAM. Eu sei que isso já faz mas de um mês, que todo mundo fala disso, que existem mil reportagens, textos, comentários, etc, etc, sobre isso, mas eu quero falar algo diferente, na verdade isso é só um pano de fundo. O que eu quero falar mesmo é sobre a dor. Voltado ao acidente, deve ser uma dor imensa ter uma pessoa querida morta em acidente assim, ainda mais em um que matou outras 198 pessoas queridas de outras pessoas. Ter seu pai, mãe, filho, primos, amigos, arrancados dessa forma de você. Enfim, como sempre após uma tragédia as pessoas passam a buscar um culpado, como se isso diminuísse a dor, a dor se transforma em raiva, ms,não se iludam ela não deixa de ser dor. A busca por culpado, mesmo que este esteja entre os mortos, mas, isso normalmente não satisfaz quem ficou. Esta busca nesse caso gerou um movimento denominado CANSEI. Que sinceramente, deveria ter como mote Cansei de ser EGOÍSTA! Porque o ser humano é muito egoísta, as pessoas que começaram esse movimento são egoístas, no fundo todo mundo sabe do que essas pessoas cansaram...e só cansaram porque não estão ponto alto do poder,na cadeira da Presidência, só cansaram porque a dor só agora bateu na sua porta, porém, a dor está há muito mais tempo na sociedade. Só para dimensionar, ninguém pensou em fazer camisetinhas, pegar porta-vozes famosos, fazer movimentos na cidade para dizer que cansou das mortes de inocentes, provacadas por políciais, nas periferias de São Paulo depois dos ataques do PCC. Quando a polícia teve o aval para matar todo mundo que tivesse cara de bandido (leia-se: o favelado). Não existe um movimento Cansei de ônibus lotado, cansei de morar um barraco, cansei de não ter luz, água, cansei de ser desempregao, de ficar na fila do Pronto Socorro, cansei de ser descriminado, enfim, CANSEI DE PASSAR FOME!Porque isso realmente não atinge os 8% da população que anda de avião (ou andou alguma vez na vida), que enfrenta "filas" nos aeroportos, tente enfrentar uma fila no PS Central morrendo de dor...Em tempo, não estou justificando tais mortes, tais contratempos, como se elas fossem menos importante. Mas, até onde sabemos trata-se de um acidente, uma tragédia, e tragédias, muitas vezes, não podem ser evitadas e, tantas vezes, não se trata de problemas sociais ou políticos ( a não ser que se implante isso), pode ser um erro humano, um erro da máquina, fúria da natureza. Isso, infelizmente, não se controla com medidas estatais. Bem sabemos que "não sabemos" o que aconteceu, e talvez nunca venhamos a descobrir o que realmente se passou naquele avião, só vemos e ouvimos informações precipitadas, trocas de acusações. Porém, a questão é que essa dor também não pode ser mais importante que outras. E mais, eu acho que este texto não devia ser escrito por mim, que não senti essa dor, e sim por alguém que a sentiu, já que não temos a capacidade de sentir a dor do outro. Porque a dor deveria nos tornar mais uma humanos, no sentido utópico dessa palavra. Porque não deveríamos achar que a dor de perder um parente dessa forma é maior ou menor que a dor de perder um filho para miséria, a dor de catar papel na rua o dia todo e chegar em casa e não ter o que comer, a dor de não ter um pedaço chão, uma terra, a dor de ver seus filhos passando fome, a dor de não ter um trabalho, a dor de não saber ler, de não saber se defender, a dor de ter um filho assassinado "por engano" em uma viela de São Paulo quando voltava para casa depois de um dia de trabalho, a dor de ser escravo, a dor de ser descriminado por sua cor, por sua roupa, por sua falta ter, a dor de passar pela vida como se ela fosse uma imensa vitrine que só se pode olhar do lado de fora. Dores não devem ser comparadas, devem ser sentidas por todos, porque só quem sente a dor sabe que não importa aonde ela doí, sabe que dor é dor em qualquer lugar, em qualquer pessoa, e todas as dores devem ser importantes. O que deveria acontecer é sentirmos a dor do outro, mas, como doí nele, como se essa pessoa pudesse emanar uma energia que a dor pudesse de todos, porque no final das contas todos nós pagamos pela dor alheia. Ja que só assim agimos, quando a dor doí em nós mesmos, fazemos algo nesse momento porque somos egoístas e só a nossa própria dor nos motiva. A elite e a classe média brasileiras acham que são inatingíveis até a dor chegar a sua porta. Isso não adianta nada como bem vimos, porque continuam na sua redoma de vidro achando que a sua dor é melhor, mais importante, deve ser resolvida primeiro. O mais triste é que nem sentido essa dor deixamos de ser egoístas, como se a dores alheias não nos atingisse, como se a dor de outros não se tornasse raiva, depois violência e gerasse uma busca por culpados, nós bem sabemos que esse é o ciclo da dor. Luta-se para resolver o problema de 8% da população e os outros 92% como fica? Enfim, "onde a dor doí?"

sexta-feira, 27 de julho de 2007

um olhar sobre a periferia

Recentemente eu decidi retomar a minha vontade de fazer mestrado, pesquisar algo, produzir conhecimento. Acordei com isso martelando em minha cabeça um dia, dois, três. E não achava resposta para algo que me emocione, me impulsione. Nisso, nessa confusão de idéias, continuar com o Hip Hop, o movimento visto pela mídia, meios de comunicação? Sei lá, aí fui olhar os meus livros, ganhei vários nos últimos meses, olhei para um "Cenas da Favela", lembrei que tinha outro, uma revista que trazia um amontoado de artigos que debatem esse tema: a favela. Esse leva o nome de Periferia. Na verdade eu nunca entrei em uma favela "de verdade", coloco entra aspas porque todo mundo tem uma visão estereotipada do que é uma favela, aquelas famosas cenas do alto, de um amontoado de casas morro acima, algumas de madeira, outras de concreto, as lages, e um monte de criança correndo descalça. As maiores favelas são assim mesmo, pelo menos é o que parece, mesmo vista de dentro como acontee em alguns filmes, clipes e etc...Essa eu só vi assim mesmo, na tela, na telinha e na telona. Mas, eu entrei sim em favelas na minha cidade, chamados de bairros de periferia, Fortunato Rocha, Jardim Nicéia. Morei em um também, mas, há que diga que esse não é tão periferia assim, vai saber...Não sei, mas sempre tive interesse por essas pessoas, que sorriem mesmo com o pouco que tem, pessoas reais, eu as vejo assim. Pessoas que quando você chega sabe que você não é de lá, mas, te olham com um olhar de espanto, querendo saber o que trouxe para eles e não com olhar de desprezo. Guardo sempre um sorriso, na foto, os meninos comendo cachorro-quente. No entanto, eu não acredito em assistencialismo da forma como as pessoas vêem. Eu acredito em troca, em ações que você que faz e quem recebe levam para a vida toda. Produção de conhecimento, conhecimento é única coisa que você ganha e nunca perde, e quem dá não fica com menos. Voltando ao foco...eu tenho essa mania eu começo a escrever o que vem a cabeça e depois nem sei mais o que queria dizer mesmo... o mestrado. Resolvi que poderia ampliar o que estudei, o movimento Hip Hop nasce na periferia e eu desde meu projeto de iniciação científica mergulhei nisso, na cultura, na história, na parte social que é intrínseca e influência de todas as formas as manifestações culturais. Pensando nessa forma, resolvi que esse seria o local, a representação da periferia pelas pessoas que a conhecem muito bem, de dentro e sabem muito bem a riqueza que ela pode oferecer. Nessa idéia dois escritores eu admiro, um é filho do movimento também, o acompanha de perto e faz um retrato real, emocionante e recente da periferia de São Paulo, o outro eu conheci graças ao professor de língua portuguesa na primeiro ano, depois graças ao meu grande amigo de faculdade que o pesquisou durante mais de um ano, esse retrata os subúrbios da mesma cidade, com sua ruelas,bares,mesas de sinuca e personagens intrigantes. Dois retratos, dois tempo diferentes, mas a mesma forma detalhista e emocionante e real de descrever e retratar um ambiente conhecido de forma geral como PERIFERIA. Muitos passos ainda tem que ser dados para se estabelecer um plano, um projeto de pesquisa, mas, alguma coisa eu sei, quero que seja algo real também, de alguém que conheceu um pedaço apenas, mas, tem a cabeça aberta para apreender todas as fatias dessa realidade periférica.

justificativa para tempo longe

No começo a empolgação, "vou escrever todos os dias", mas os dias passam e nada vem a mente, as coisas vão acontecendo e o pensamento de escrever sobre isso vem, as palavras começam a se arquitetar na mente, viram frases e até parágrafos inteiros, mas, a vontade de sentar em frente a tela passa, ai você senta, mas, as palavras fugiram. Hoje elas voltaram e resolvi escrever...

quinta-feira, 28 de junho de 2007

cidades sem limites

Minha mãe sempre me pedia para escrever algo para carta do leitor do Jornal da Cidade, da minha cidade Bauru, algo para reclamar do estado das ruas- cheias de buracos- das praças - com mato alto, sem cuidados- mas, eu sempre deixava para depois. Quando eu fui trabalhar em uma rádio AM aqui mesmo na cidade sem limites (de buraco!) eu percebi que essas reclamações eram queixas de moradores de todos os bairros do município e, ainda, existiam outras reclamações, como a ineficiência da coleta de lixo na cidade,existência em massa de caramujos devido a sujeira acumulada em terrenos baldios, os mais de mil casos de dengue são apenas algumas das reclamações.
Hoje eu li no jornal que a cidade ficou fora da primeira etapa de investimentos do PAC do Estado de São Paulo, um repasse de mais ou menos 5 bilhões destinado, principalmente, a obras de saneamento básico. A dívida com a União e a falta de articulação política e planejamento foram alguns do fatores apontados como causas da não presença de Bauru na lista das cidades contempladas pela primeira fase do programa. Bom, fica para segunda a fase talvez, já que a cidade está conseguindo regularizar a sua inadimplência com o Governo Federal. O fato é que Bauru tem pouca representatividade política nas esferas estaduais e federais. Só tem um deputado estadual, que de certa forma é muito bem relacionado com o Governo do Estado, já que faz parte do mesmo partido político do governador e nenhum deputado federal, apesar da região ter eleito um, que vire e mexe aparece por aqui. Tudo isso resulta numa cidade com poucos investimentos que se não fosse a aproximidade com as eleições municipais estaria completamente abandonada, como estava no ano passado. Uma cidade ancorada no comércio, com uma relativa evolução industrial, a gente sempre recebia uns releases na Rádio com o aumento da atividade industrial na região e poucos pontos turísticos. O mais engraçado é que tem um monte de gente querendo pegar a "bucha", vem candidato até de outras cidades querendo a cadeira na Praça das Cerejeiras. Das duas uma: ou eles querem se tornar heróis ou não conhecem realmente a cidade. Um terceira opção: estão achando que a aqui é cidade de ninguém, a velha "casa da mãe joana", afinal nosso Prefeito passa mais tempo em Campinas do que aqui na cidade sem limites. Sem querer entrar muito no mérito político, afinal, quem sou eu, não sou candidata, nem me interesso pelo caminho político, mas, eu acredito que essa história de que "eu não gosto de política" ou "eu não entendo de política" é o maior erro de uma pessoa que se diz cidadão, que vive em uma sociedade. Existem problemas emergencias que precisam receber atenção, o pouco contato que tive com o jornalismo diário, que abriu a possibilidade de contato com a população e de enxergar as suas maiores aflições, apontaram essas questões. Alguns pilares que devem ser reforçados: a coleta de lixo, a limpeza pública, as vias esburacadas, o atendimento médico público e o transporte público (esse representa a maior parte das reclamações dos universitários). Deixo aí o meu manifesto sobre a cidade que eu nasci e cresci, mas, sem saudosismo porque não lembro da cidade ter sido algum dia bem cuidada.

terça-feira, 26 de junho de 2007

escrevendo sobre Hip Hop

Uma das minhas paixões...em primeiro lugar licença para falar do movimento (que admiro muito)...


Mariana Bonora: Licença pra falar do movimento...

Em primeiro lugar eu peço licença para falar de Hip Hop. Peço isso porque muitas vezes eu me sinto invadindo uma realidade que não é muito minha, mas isso dura apenas alguns minutos, os iniciais normalmente. Assim como a psicanalista Maria Rita Kehl afirmou certa vez, o que nos aproxima dos manos é o mesmo sentimento de revolta e a vontade de mudar, nem que seja um pouquinho, essa realidade com a qual a gente convive todos os dias. Acho que foi por isso que escolhi fazer jornalismo, um pouco utópica e ingênua a minha idéia sobre jornalismo, mas a gente sempre precisa de um ideal para continuar na caminhada.
Acredito que foram essas paradas mesmo que me aproximaram do hip-hop, a iniciação foi ouvindo rap e depois a gente se dá conta que o ritmo e a poesia fazem parte de uma coisa muito maior. Acho que nem vira aqui fica falando sobre as proporções do barato porque até quem não quer ver, até pra quem não acreditou, não aceita e demais atitudes do tipo, é obrigado a enxergar a verdade - a revolução está aí - e ela vem da onde tinha que vim mesmo, da periferia, da parte da população que conhece o verdadeiro rosto do Brasil.
Mas, voltando ao foco do que eu queria escrever aqui, depois desse primeiro contato fui meio que invadindo os espaços, porque eu queria participar de alguma forma, só o papel de fã do movimento não tava virando. A primeira invasão foi quando a gente analisou as letras de Sobrevivendo no Inferno para aulas de Teoria da Comunicação, um viés acadêmico, mas foi assim que fui entendendo a mensagem. A Fórmula Mágica da Paz foi a que mais marcou, as vezes o caminho da paz só vem com mágica mesmo.
A partir daí era pegar as brechas e ir entrando devagar na parada. Uma vez entrevistei o Thaíde e perguntei como ele entrou no hip-hop e ele deu uma resposta legal, falou que na verdade ele não encontrou o hip-hop, foi o contrário o movimento que encontrou ele. Pensando nisso eu posso falar que comigo a história foi diferente, eu procurei o barato mesmo, mas o caminho é a humildade. Como eu estou chegando agora e nem sei rimar, nem dançar, graffitar e muito menos riscar os discos entrei com o que eu tinha e pra fazer o que eu podia fazer – fui pesquisar o movimento – o aprendizado é o primeiro passo e com a troca de experiências você acaba ensinando também. E hoje eu posso colher alguns frutos disso e me sentir um pouco menos “invasora”.
Quanto aos frutos um é um trabalho de 80 páginas que gostaria de dividir, não acho que seria muito produtivo guardar na gaveta, e quem sabe um dia eu possa participar da “revolução escrita” anunciada pelo Ferréz; o outro é o programa na web rádio e o obstáculo é a exclusão digital em que se encontra a maioria do nosso público alvo, mas a gente está na caminhada pra levar o programa pra rádio aberta; e o mais importante é o que eu presencio em todo acontecimento do movimento hip-hop na minha cidade (a minha Bauru sem limites...). Não são apenas jovens dando giros de cabeça, rimando no microfone, comandando os scratchs ou colorindo muros, são jovens que até então eram meros coadjuvantes da chamada “cultura oficial” e hoje podem ser os protagonistas da sua própria história.
A gente só tem que se organizar contra a apropriação, pro barato não virar instrumento de assistencialismo. Por isso eu peço licença pra falar do movimento e agora a agradeço. Por enquanto eu ainda bato na porta antes de entrar e quem sabe um dia eu encontro ela já aberta. O importante é que estou trilhando o caminho e os espaços vão surgindo, mas nada vem de graça, ainda bem. E quem sabe numa próxima brecha eu possa falar das 80 páginas...


(publicado em: http://www.vermelho.org.br/diario/2006/0113/especial_0113.asp?nome=Especial&cod=5286)

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Os rumos do Hip Hop: formas de preservação do movimento.

Faz tempo que não escrevo nada sobre o movimento Hip Hop, eu fiquei praticamente os quatro anos da minha faculdade pesquisando, lendo e escrevendo sobre esse movimento socio-cultural. Não só isso, fiquei, especialmente no último ano, em contato direto com todas as manifestações do Hip Hop na minha cidade. Na tentativa de escrever algo sobre esse movimento, que eu admiro muito e que ao mesmo tempo me entristece ao ver que os alicerces do Hip Hop em Bauru estão se enfraquecendo em alguns pontos, eu lembrei de um epsódio durante a minha faculdade.
Quando eu estava fazendo minha iniciação científica, eu pesquisava sobre a obra dos Racionais MC´s na época, uns colegas estavam fazendo um trabalho sobre negros, acho que era uma radiorrevista e vieram me entrevistar já que eu pesquisava o movimento Hip Hop, que tem uma raiz inegável nas questões raciais, tanto na temática como no próprio sentido cultural do movimento, nas suas influências que vêm dos tempos dos griots africanos. A primeira pergunta foi sobre a questão do preconceito racial, presente nas músicas, como funcionava isso dentro do movimento. Eu não lembro exatamente o que respondi, mas, eu abordei mais pelo lado social e não a questão racial em si, pelo fato de temáticas diferentes estarem aparecendo no mundo do Hip Hop, pelo fato de pessoas brancas, também, participarem dessa evolução, tanto como consumidores ou artistas de cada uma das quatro manifestações. E, assim, a música do Hip Hop, o rap, passou a abordar uma temática mais social. Beleza, mas, hoje eu vejo essa reposta como um pouco ingênua.
De fato as temáticas são variadas dentro do rap. Hoje na verdade se vê letras que podem falar sobre tudo, inclusiva da “bailarina, que era tão linda” e demais rimas (pobres) que se vê por aí. No entanto, eu acho que isso inclui uma outra questão, o rap como estilo musical e o rap como um elemento do Hip Hop. Eu sei que muitos puristas do movimento são contra isso, contra a comercialização da música do Hip Hop (o rap), mas, isso é fato inegável. O estilo assumiu contornos que hoje não existe mais um perfil de um cantor de rap. Um estilo musical tem certas caracteristícas que o identificam como tal, e isso, também, acontece com o rap.
Mas, a discussão não deve ser se isso deve ou não acontecer, porque a música é licença poética, se um artista a tem, ele pode falar sobre o que quiser no ritmo que for conveniente, cabe ao público aprovar a não, com respectivas palmas ou vaias. O que deve ser preservado sempre é a raiz do Hip Hop, e o Hip Hop não é só rap. Uma vez eu estava entrevistando um cara que dava oficinas de grafite e ele falou uma frase que eu guardei e reflete bem isso, não lembro bem o que eu perguntei a ele, mas, no meio da resposta ele afirmou que “o Hip Hop é um elemento do grafite, mas, não necessariamente o grafite é sempre um elemento do Hip Hop”. A consciência disso poderia evitar muitas discussões vazias. Manifestações paralelas são formas de arte. O que tem seu valor sim, claro, é cultura. Mas, a essência do Hip Hop é muito mais que isso, ele é um movimento com raízes sociais, com ações e manifestações que refletem essa questão. E nesse ponto não existe licença poética, só quem é pode ser, só quem vive essas raízes pode saber e cantar, desenhar, dançar ou musicar isso.
Diante disso, eu acredito que são discussões vazias decidir quem pode ou não cantar rap, grafitar, ser DJ ou b-boy, é perder tempo pensar em maneiras de frear a comercialização do rap, é tentar parar com um processo que acontece com todas as formas culturais que transpuseram os muros formado pelo grupo social onde nasceram, formas que ganharam visibilidade e sucesso. Quem conhece a história de evolução dos ritmos musicais negros entende o que eu estou falando, de alguma forma ele se renderam ao mercado, muitas vezes não pela ação dos que os inventaram, mas, pela apropiação por parte de outras camadas sociais. A bandeira do movimento tem quer ser a preservação do próprio movimento.
Um cantor de rap não é necessariamente um militante do Hip Hop, mas, um militante que se reduz a um artista apenas não pode ser mais considerado parte integrante do Hip Hop. É nesse ponto que o a luta tem que se focar, em ações que viabilizem o lado social do movimento e que isso seja passado para a nova geração, através de oficinas, palestras, debates e outras formas de discussão para o Hip Hop não se transformar em uma fábrica de artistas e sim continuar sendo uma ferramenta de inclusão social através da cultura, um movimento socio-cultural legítimo que se manifesta em quatro pilares artísticos (os elementos) e um pilar fundamental: o conhecimento.
Um conhecimento que é necessário por parte dos críticos do movimento também. Por isso eu bato palmas para o artigo do Aliado G publicado recentemente no Hip Hop a Lápis, onde ele esclarece e explica mais uma vez a rica raiz do rap e indica nessa história um ponto que deve ser explorado pelas manifestações artísticas do Hip Hop – a raiz africana. Eu acredito que o Hip Hop no Brasil tem que se prender mais a essas influências e buscar a cara brasileira do movimento se afsatando um pouco da matriz norte-americana que já perdeu muitos dos seus ideais, pelo menos é o que espelha a nova geração de rappers que vemos se multiplicar a cada dia, como uma verdadeira fábrica de artistas. Eis um caminho a ser trilhado: a busca pela Mãe- África.

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porque quis um blog

Eu resolvi criar um blog por falta do que fazer, por falta de onde escrever, por falta de exercitar a mente, quem sabe assim eu escrevo mais, escrevo como escrevia na faculdade, porque esperar um vaga no mercado de trabalho está me angustiando. Todos os dias parecem iguais, mas, na verdade eles são diferentes e eu comecei a enxergar isso recentemente, ter um trabalho, uma rotina, receber o salário no fim do mês, todos os dias acordar na mesma hora, ver as mesmas pessoas no mesmo ambiente, bater cartão...isso sim é ter todos os dias com a mesma cara. Acho que foi por isso que escolhi o jornalismo, embora, você acorde todos os dias sabendo que vai para a redação de um jornal, revista, rádio, televisão, você sabe que seus dias jamais vão ser iguais, você sabe que uma notícia de ontem não se repete, que vai escrever sobre outra coisa, falar com outras pessoas, ir para outros lugares, tirar outras fotos. E hoje meus dias são diferentes, porque eu não tenho trabalho, eu posso acordar em horários diferentes, fazer uma coisa diferente de ontem, como estar aqui escrevendo nesse blog, mas, ao mesmo tempo eu não estou nas ruas, não estou entrevistando pessoas, fazendo reportagens, algo que escolhi para minha vida e que hoje parece tão longe, há um mês eu tinha uma rotina, há um mês certinho a partir de hoje. Bom criei uma rotina nesse instante de escrever, como um amigo meu, o Pedro me disse..."nunca deixe de escrever...

"Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem o ser ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso, a palavra foi feita para dizer."(Graciliano Ramos)