quarta-feira, 12 de maio de 2010

Coisas que perdemos pelo caminho

No filme "Em seu lugar", um filme até bobo, hollywoodiano, mas que tem um trecho muito legal, no qual a atriz Cameron Diaz, que no filme vive uma personagem com dislexia, está em um hospital e um senhor cego pede para ela ler um trecho de um poema, o foco é nesse problema da personagem, claro. Mas, depois que você vê umas duas vezes o filme começa a prestar a atenção no poema. Ele fala da perda de coisas na vida. Primeiro coisas simples como um molho de chaves, depois grandes coisas como rios, países, mas, na verdade é uma forma metafórica para dizer que temos que nos acostumar a perder coisas no caminho da vida.

E comecei a pensar muito nisso ultimamente, como a nossa vida muda, extamente pelas coisas que perdemos pelo caminho. E engraçado a forma como perdemos especialmente as pessoas, na sua forma física primeiramente, pela distância geográfica e temporal e depois como vamos perdendo todo o tipo de presença dessa pessoa...os telefonemas ficam raros, emails não aparecem mais na caixa de entrada e, por fim a pessoa fica só na lembrança, mas, começa a ser uma lembraça dolorida, de procurar onde você errou. Foi eu que me distanciei? Foi o telefonema que não dei? O aniversário que esqueci? Alguma coisa que falei na última vez que nos vimos? Não temos mais nada vê? Mas, e as coisas que compartilhamos e laços feitos? Não são válidos mais?

Ai você luta para isso não transformar-se em mágoa...e de repente começa pensar que a vida é assim mesmo, as pessoas passam por ela, mas, no fim a gente vai embora do mesmo jeito que chegou nessa existência...sozinho... Mas, conformismos à parte, tem algumas pessoas que eu simplesmente queria que continuássem aqui, na existência do meu dia-a-dia, no entanto, não podemos lutar contra os ventos que sopram de todos os lados que levam cada pessoa que mudou nossa vida, que ainda amamos ou um dia já amamamos para os seus destinos. E nem sempre eles se cruzam, o que não apaga o que existiu e nem as mudanças causadas...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Saudade

Na semana passada eu estava a caminho do trabalho e ouvi uma música na rádio. Beautifull do Snoopy Dog, a música é um pouco chatinha, aquele ritmo que gruda mesmo, uma vez e você já sabe cantar todo o refrão.

Mas, essa música me fez recordar uma das coisas que eu mais gostava na faculdade, fazer o Direto da Quebrada. Eu, Pedro e a Kelly escolhemos essa música para uma edição do programa que gravavamos toda sexta-feira. Bom, aí é como um efeito dominó, você lembra de uma edição, que puxa outra e um minuto parece que todo aquele ano que nos dedicamos ao Hip Hop está ali na sua frente.

E dá uma tristeza, mas uma tristeza boa, de saber que pelo menos em um período da nossa vida fizemos algo porque realmente gostavamos e não porque a roda gigante do nosso mundo, do nosso louco cotidiano nós obriga a fazer. Um compromisso que escolhemos viver, escolhemos construir.

E isso dava um trabalho, mas, um trabalho gratificante, que no fim tomava nossas tarde, gastava nossos dedos no teclado, nosso ouvidos, nossas cabeças em pensar qual seria o tema, como seria texto, onde entraria as músicas, mas, que no fim tudo valia a pena, mesmo que ninguém ouvisse. Ninguém, além de nós três e o Ângelo...sempre lá na mesa de som.

Promessa para o próximo post...um roteiro do Direto da Quebrada...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Mundo da Filosofia




Quando eu era mais nova, estava no colegial, li o Mundo de Sofia, depois vários livros do Jostein Gaarder passei a acreditar que ele era meu autor preferido. Mas, eu conheci outras coisas e comecei achar tudo que ele escrevia muito simples. Na faculdade, nós deparamos com grandes filósofos, dos quais o Jostein falava no livro até, mas de uma forma muito mais complexa. Porque não é uma pessoa com uma linguagem simples falando de um grande pensador, mas as coisas que esse grande pensador falava, nas próprias palavras deles, ou de alguém que registrou literalmente (e hermeticamente) o que eles transmitiam, ou gostariam de, ao povo.

Mas, faz um mês mais ou menos, eu voltei a ler os livros, comecei do começo. O Dia do Curinga. E agora estou no Mundo de Sofia novamente. E ao ler o Dia do Curinga, eu percebi que é simples sim, mas, apenas a forma que se apresenta algo que é muito complexo e difícil, que é ser um Curinga num meio de um baralho todo, comum, com cartas do mesmo naipe. Ser aquele que se diferencia e por isso é um bobo da corte, aos olhos das outras cartas. E a bebida púrpura, que não deixa as cartas enxergarem a vida como ela, surpreendente e única. Enquanto isso preocupam-se em apenas realizar o trabalho para qual nasceram, sem nem mesmo questionar porque fazem aquilo todo santo dia.

E ser um Curinga é algo muito difícil, é ser diferente, é ver as coisas de forma diferente e se perguntar toda a hora porque é assim. E se maravilhar com as mil possibilidades de respostas. Entretanto, é um ato de coragem, nem sempre as respostas são melhores e muitas vezes não a encontramos e vem a angústia. A vontade louca, insana, de voltar a ser uma carta de baralho comum, com o naipe igual a outras 11, para entrar novamente no jogo.

E depois da leitura, eu comecei a pensar muito nisso, se quero ser um Ás de Copas, com um lindo vestido amarelo, tentando se encaixar em algum jogo de paciência da vida, ou assumo a posição corajosa de ser um Curinga. Só que esse é, enfim, um questionamento que fiz minha vida toda. Se realmente estou no caminho certo, se é isso que quero, se sei lutar pelo que quero, ou se espero a mudança chegar a minha porta, para parecer menos brusca.

Meu maior receio é entrar em uma roda-gigante, que eu nunca possa sair, e que fique girando sempre igual, sempre no mesmo ritmo até parar de vez. Nesses momentos, sempre vem uma música na minha cabeça, um trecho específico: "Afinal, qual é graça de já saber o fim da estrada quando se parte rumo ao nada" (Paulinho Moska - o alvo e a seta)...

domingo, 27 de setembro de 2009

Casa Nova


Um dia nós precisamos mudar, no fundo todo mundo espera uma mudança, mas, sempre tem medo. Se acostuma com alguma coisa e qualquer gaveta fora do lugar parece um grande pecado.

Eu também queria mudar, mas, na verdade ficava pensando que talvez não fosse tão ruim assim. Trabalho de segunda a sexta, salário até que bom, tudo bem que não tinha vários benefícios, mas, enfim era meu primeiro emprego.

Mas, o que era mais complicado era a sensação de estar empacada em um mesmo lugar, sempre fazendo as mesmas coisas, respirando o mesmo ar. Sentia tudo isso, mas, também, não sabia que caminho seguir para mudar.

Mas, a mudança chegou na minha porta para falar a verdade. E foi bom mudar, deu aquela dor na barriga, aquela ansiedade, ainda dá. Aquela sensação de será que eu consigo fazer outra coisa?! Posso não ser a melhor nisso, nem sou, nem quero ser, mas, a cada dia eu acho que consigo sim fazer outra coisa, melhorar.

Eu ainda sofro, quando não sai como queria, quando olho no relógio e vejo que sou a última a terminar as coisas, mas, tudo vale a pena...vale muito, só de você ver o seu nome alí e ver que o seu trabalho está aparecendo. Vale todo o sacrifício.

Talvez eu ainda não tenha encontrado o meu caminho, nem consigo definir um perfil nesse blog, um perfil no meu orkut, no twitter, mas, enfim, talvez o perfil seja vários perfis, vários caminhos, inclassicável. Porque o importante da vida é experimentar, afinal "qual é a graça de já saber o fim da estrada quando se parte rumo ao nada"...

"Nova Casa".... www.temmais.com.br Confira!

sábado, 4 de julho de 2009

Abandono

Prometi que ia escrever, não acho chato como Chico Buarque disse na Flip, embora eu ache que sendo ele, pode ser dito o que quiser, já que está no patamar de inquestionável.No entanto, escrever é algo muito difícil quando se quer colocar em palavras algo que não seja simplesmente só algumas linhas de "nadismo", e, o tempo não tem reservado muitas horas para mim.

Mas, ontem, algo diferente aconteceu. Eu estava às 19h30 no trabalho ainda, tentando resolver um impasse e sem achar uma solução. Depois de 11 horas e meia de trabalho isso pode ser difícil mesmo. Foi quando uma pessoa iluminada me disse, por que você precisa resolver isso agora? Respondi: Porque quero fazer a matéria no final de semana. Ecoou a pergunta: No final de semana???

Não dá para descrever tudo que foi dito depois, mas, tento lembrar das palavras, sempre, como um comando, uma ordem, para não deixar de ser eu e me tornar meu trabalho. Para continuar a luta de não me resumir a releases, follows, clippings e relatórios de inutilidades.

Um das partes da conversa mais significativas - "É uma condição temporária, algo que temos que passar para chegar onde queremos". Mas, aí está uma questão importante - Onde quero chegar? Não saber onde se quer chegar tem pontos positivos e negativos.

Negativos - fica difícil definir que caminho seguir para alcançar o destino que se quer chegar; existe uma dificuldade imensa de definir prioridades; é angustiante não saber o que quer.

Positivos - você está aberto às possibilidades, assim tem mais chances de conhecer diferentes caminhos e um deles pode ser o que espera; quando não se sabe bem onde chegar, qualquer ponto que se chegue é uma vitória.

Entre pontos negativos e positivos, está de certa forma o caminho que sigo no momento. Não é ideal, não é como esperava, não é gratificante na maior parte do tempo, os dias costumam passar sem grandes paixões, no entanto, é um caminho, é uma passagem e por ela que passo agora. E sempre encontro no meio das andanças sem rumo pessoas inspiradoras, que amam profundamente aquilo que fazem e sabem como transmitir essa paixão e influenciar quem está por perto. A irradiação da energia positiva.

E entre um mês ou outro, posso escrever aqui, mesmo que ninguém leia e posso postar meus 140 caracteres a hora que quiser no twitter, embora ainda não saiba como lidar com essa rede, saber tudo que oferece e como aproveitar os canais de comunicação da melhor forma possível.

O abandono existe, e não acontece apenas uma vez, no entanto, há sempre a volta, o resgate daquilo que acreditamos ser verdadeiro dentro de nós. Como o ato de escrever.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

tem mais

Outra matéria para o Caderno Ser...

Eles também estão na moda

Cada vez mais atentos às tendências, os homens tornam-se o público-alvo das grandes grifes e boutiques
Já foi o tempo em que mães e esposas eram as responsáveis pelo guarda-roupa dos filhos e maridos. Em uma realidade onde a aparência é muito valorizada, o vestir-se bem passou a ser regra entre os homens e o surgimento do chamado metrossexual quebrou alguns “tabus” da ala masculina na relação com a moda.

De acordo com Odil Zeper (o Juba), consultor e docente da área de moda do Senac Bauru, desde a década de 60 o homem vem conquistando o seu espaço, no entanto, só nos últimos anos essa preocupação passou a ser significativa na vida do homem comum, no seu dia-a-dia pessoal e profissional. “Atualmente encontramos um homem versátil, que faz da sua imagem o seu maior cartão de visitas. A máxima é parecer um pouco mais jovem e os recursos são buscados em corpos malhados, alimentação saudável e uso de cremes. E isso se reflete na escolha das roupas e na definição do estilo. Este homem se preocupa com bons ternos e grandes grifes, por exemplo, para sublinhar seu poder de sedução e de mercado”, completa.

Para Maurício Lobo, consultor de moda masculina do Senac São Paulo, a evolução da mulher e a mídia foram um dos principais impulsionadores da mudança do comportamento do homem moderno. “A mídia foi a mola propulsora para a difusão do comportamento do homem moderno. Porém, a mudança foi impulsionada pela evolução da sociedade, a postura da mulher moderna que ganha espaço no mundo corporativo, disputando os mesmos cargos com o homem. Isso exigiu do homem repensar o seu próprio estilo. A mulher trouxe para esse universo a elegância e a valorização da imagem, e o homem percebeu que se não acompanhasse as mudanças estaria fora do mercado”.

O novo comportamento do homem em relação à moda tem reflexos no mercado do segmento. Encontramos hoje grifes especializadas, bem como marcas já renomadas e grandes boutiques que se renderam ao universo masculino e passaram a investir no setor.

“Hoje o segmento masculino é o que mais cresce. Não só em questão do vestuário, mas a indústria de cosméticos, acessórios para o homem também tem se desenvolvido. O homem está descobrindo que ele pode utilizar esses produtos, pode se vestir bem sem perder a sua masculinidade”, afirma Lobo. Tudo isso respaldado e fomentado por lançamentos editoriais também voltados para eles.

Espaço para eles

Proprietária há 25 anos de uma boutique em Bauru, Tânia Capelini sempre trabalhou com a moda masculina, mas a mudança no perfil do homem moderno fez com que a empresária investisse na ampliação do espaço reservado a eles na loja. “O perfil do público masculino mudou nos últimos anos. A vaidade deixou de ser um assunto polêmico entre os homens, inevitavelmente essa mudança influenciou na maneira com que ele se veste, e a atenção que dedica à moda. Nesse sentido reparamos um movimento crescente de homens em nossa loja, cada vez mais exigentes com as peças que vão usar, buscando novidades para o dia-a-dia ou ocasião especial”, ressalta Tadeu Dias Capelini, responsável pelo setor de moda masculina da boutique.

A mudança no perfil do consumidor masculino refletiu inclusive nos lucros do empreendimento. De 2007 para 2008, a boutique apresentou um aumento de 20% nas vendas de roupas masculinas e atualmente o setor representa de 20% a 30% do total da loja. “Estamos investindo bastante nesse setor, oferecendo marcas exclusivas e de qualidade. Nossa expectativa é manter esse aumento no ano que vem”, completa Capelini.

Clientes exigentes

Os homens se revelam, inclusive, um consumidor mais exigente que as mulheres, por isso a tendência das boutiques, redutos de marcas de luxo e grifes renomadas, disponibilizar uma atenção especial a essa clientela. “O público masculino tem exigências próprias e muitas vezes é mais criterioso que o feminino, a qualidade do fio, o tecido, o corte, o caimento são exigências. Estamos sempre atentos às particularidades e necessidades do homem contemporâneo, buscando trazer novidades aliadas à qualidade”, afirma Capelini.

Aspectos valorizados pelo advogado Leandro Megale Pizzo na hora de comprar suas roupas. Cliente da loja há quatro anos, Pizzo atribui o seu interesse pelas grifes e peças de qualidade à irmã, Adélia Pizzo, que cursou faculdade de moda. No entanto, ressalta ser essa uma característica cada vez mais exigida dos homens.

“Tenho uma irmã que estudou moda, então de certa forma sempre convivi com a preocupação de me vestir bem, sempre comprei minhas roupas e procurei me informar sobre as tendências. E, hoje em dia, é importante esse cuidado com a aparência, inclusive profissionalmente. É o nosso cartão de visitas”, afirma.

O empresário José Hermínio Canella compartilha o seu gosto pela moda com os filhos Daniel e Thomaz. De acompanhantes da esposa e mãe nas compras na boutique, os três tornaram-se clientes e mostraram que o interesse e o conhecimento das tendências não têm idade e passa de pai para filho.

“Hoje em dia existe uma difusão crescente de informação do segmento de moda masculina e os homens estão mais atentos às novidades e tendências não só das roupas como dos demais produtos específicos para esse público. Essa preocupação com a aparência e valorização da vaidade masculina têm se refletido, inclusive, nas gerações mais novas”, conclui Canella.

Freelancer para o Jornal da Cidade -hehhee

Nessa vida de assessora eu ajudo muito o pessoal dos jornais, olha a matéria de meia página que eu fiz pro Caderno Ser....

Responsabilidade social está na moda

Contribuições positivas das empresas para a sociedade começam a ser percebidas e avaliadas pelo consumidor
Questões como a responsabilidade social e consciência ambiental permeiam o mundo empresarial e hoje não são mais consideradas apenas como diferencial competitivo dos empreendimentos. Agregar aos produtos o valor das ações que visam o desenvolvimento sustentável – bem-estar social e preservação ambiental - passou a ser pré-requisito para uma imagem positiva das empresas, não importando o segmento ou porte delas.

“A compreensão da relevância da sustentabilidade será o aspecto mais importante de avaliação empresarial deste novo século. O consumo será e terá que ser mais responsável”, avalia Carlos Ferreirinha, diretor presidente da MCF Consultoria, primeira empresa especializada no negócio do luxo da América Latina e com sede em São Paulo. Durante sete anos, Ferreirinha foi diretor de marketing da marca Louis Vuitton no Brasil e foi um dos idealizadores do primeiro MBA em Gestão do Luxo da Américas.

Aparentemente inconciliáveis, o mercado de luxo e os conceitos de consumo consciente, responsabilidade social e ambiental têm se aproximado. O segmento da moda, principalmente, tem se preocupado em aliar a produção de peças exclusivas com a conscientização socioambiental. É o caso de marcas como M.Officer e Carlos Miele, que realizam ações em parceria com a Cooperativa de Trabalho Artesanal e de Costura da Rocinha, grupo formado por moradoras da comunidade da Rocinha, e a Osklen, que desenvolveu o projeto “E-fabrics”, um selo que identifica os materiais utilizados pela indústria têxtil que respeitam critérios de comércio justo e de desenvolvimento sustentável.

“Algumas marcas da moda estão totalmente envolvidas com o tema da sustentabilidade. A indústria têxtil tem ótimos exercícios sendo feitos nessa direção, do tecido ao corante. Chegará o tempo em que as marcas de luxo também serão julgadas e percebidas pelas contribuições positivas que geram nas pessoas e no mundo, pela visão do comprometimento social”, ressalta o consultor.

Se este conceito já entrou para a agenda da moda dos grandes centros urbanos, também migrou para cidades do Interior. Afinal, a mesma roupa que desfila nas passarelas de lá está nas vitrines de cá. Consciente dessa realidade, a empresária bauruense Tânia Capelini resolveu entrar para o time dos socialmente responsáveis.

Proprietária de uma boutique do segmento do luxo, Tânia lançou na comemoração dos 25 anos de sua loja o projeto “Chance”, nome dado à grife de objetos produzidos por instituições filantrópicas que serão comercializados na loja. Os primeiros produtos da linha são caixas de madeira que funcionam como porta-jóias ou peça decorativa, biquínis e almofadas personalizadas com técnicas de pedraria e bordado.

“O nosso objetivo é valorizar o trabalho de quem faz parte de iniciativas e organizações de inclusão social. As caixas e peças de roupas representam o início do trabalho, mas, já estamos com projeto de ampliação da linha ‘Chance’, que inclua a responsabilidade ambiental também, por meio de produtos feitos com material reciclável”, explica Tânia.

Os primeiros objetos da grife foram produzidos pelo grupo de artesanato da Casa da Fraternidade Santa Rita, de Bauru, instituição filantrópica fundada em 1999 com intuito de promover a inclusão social através de grupos de geração de renda e aprendizado profissional.

Para Cristiane Guereschi Kohlmann, membro do Conselho Fiscal da Casa, a iniciativa da empresária traz benefícios para os dois lados. “O projeto dá visibilidade ao trabalho do grupo de artesanato e agrega o valor da responsabilidade social aos produtos da loja. Além de atrair o consumidor cada vez mais exigente e atento a essas questões, é um exemplo que pode ser seguido por outras lojas do segmento”, ressalta.

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Ferramenta importante

Atuante em projetos de educação e comunicação ambiental, a secretária-executiva do Vidágua, Ivy Wiens, acredita que a moda é uma importante ferramenta para conscientização das pessoas. “A moda está presente na vida de todo mundo. Seguindo tendências ou não, todo mundo se veste, é um produto consumido por todos, por isso nós encontramos nela um caminho para chegar às pessoas e sensibilizá-las em relação à questão ambiental, ao consumo consciente”, ressalta.

O instituto já desenvolveu ações com lojistas do Bauru Shopping e atualmente realiza oficinas que ensinam técnicas de confecção e customização de roupas utilizando materiais como algodão orgânico e garrafas PET, matéria-prima que pode ser utilizada no lugar do poliéster.

“Repensar o consumo já é uma ação socioambiental. E esse conceito está cada vez mais presente na moda. Você vê isso nas revistas, nos grandes desfiles como São Paulo Fashion Week. Considerar, na hora da compra, como as peças foram produzidas, as condições de trabalho da mão-de-obra, a matéria-prima, o impacto ambiental da produção é uma forma de conciliar um segmento sempre atrelado ao consumo com as questões de responsabilidade socioambiental”, completa Ivy.

Para Carlos Ferreirinha, diretor presidente da MCF Consultoria, a atitude do consumidor vai ser o diferencial para mudar a postura das empresas. “Cada vez mais, a pergunta ‘de que é feito este produto?’ será utilizada. A resposta tradição, trajetória de sucesso, poder de marca, matéria-prima nobre, qualidade que impressiona, excelência, detalhes, não será mais suficiente. A resposta terá que contemplar aspectos de sustentabilidade”, ressalta.

Da Redação/*Com informações da Lettera Comunicação Estratégica

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Continuação....

Depois de um tempo longe, na verdade o tempo é algo que a cada dia eu tenho menos e acada dia eu queria ter mais. Tenho uma leve sensação de ver a vida passar diante dos meus olhos....será que as promessas de fim de ano se realizam???

Bom dando continuidade, mais uma parte da minha iniciação científica

Faz frio em São Paulo,
pra mim ta sempre bom
Eu to na rua de bombeta e moletom
Din din din rap é o som que
emana dum opala marrom
E aí? Chama Guilherme, chama Bane,
Chama o Dinho e o Kim
Marquinho, chama o Éder
Vamo ai, se os outros mano vem
Pela ordem tudo bem, melhor,
Quem é quem no bilhar, no dominó


Nesse trecho um aspecto do lado bom da favela, os companheiros, aqueles que se chamam de “mano”. Esse tratamento, nas palavras de Maria Rita Kehl, “não é gratuito”, é algo que possui a sua simbologia dentro do universo da linguagem da periferia, e, por conseguinte, na linguagem do hip hop, que procura desfazer os discursos de dominação onde existe um subjugado e um superior, como afirma a psicanalista

"O tratamento de mano não é gratuito. Indica uma intenção de igualdade, um sentimento de fratria, um campo de identificações horizontais, em contraposição ao modo de identificação/dominação “vertical”, da massa em relação ao líder ou ao ídolo. As letras são apelos dramáticos ao semelhante, ao irmão".

No trecho seguinte, o outro lado, aqueles moradores da favela que por motivos declarados na letra se desvirtuaram, entraram no caminho do consumo de drogas

Colou dois manos, um acenou pra mim [...]
Ei Brown, sai fora, nem cola,
Não vale a pena dá idéia pra esse tipo aí
Ontem a noite eu vi na beira do asfalto,
Tragando a morte, soprando a vida pro alto
[...]
Veja bem ninguém é mais que ninguém, veja bem,
veja bem, eles são nossos irmão também
Mas de cocaína e crack, uísque e conhaque,
Os manos morrem rapidinho sem lugar de destaque


Na parte da narrativa transcrita acima existe um diálogo entre Mano Brown e Ice Blue sobre um terceiro “mano” que não merecia sua confiança por ser um viciado. Brown em resposta afirma que não ocupa um papel de julgador, embora, não negue que essas atitudes destroem a integridade do indivíduo. O trecho traz mais algumas referências a elementos religiosos sob o ponto de vista estrutural do discurso, da linguagem, nas falas de complacência e igualdade (ninguém é mais que ninguém, eles são nossos irmão também), que remetem aos conceitos religiosos de aceitação, perdão, igualdade. O que se pode enxergar até esse momento é um dos elementos que cria a cumplicidade dentro do ambiente da periferia expresso no discurso

"Um discurso moral- pontuado por conhecidas imagens e símbolos religiosos que evoca valores comunitários, compartilhadas dúvidas existenciais sobre o sentido da vida e a banalização da morte".

Nesse trecho, também, é possível fazer um recorte sobre existência ainda que de forma implícita, da relação dos integrantes do grupo com o tráfico e consumo de drogas. As posições sobre o assunto são divergentes, no entanto, como já foi explicitado acima, é algo difícil de desvincular do cotidiano da periferia e do rap, que é uma espécie de crônica musicada do ambiente periférico.
Em depoimentos os rappers costumam dizer que se sente como uma fronteira, realmente, entre a polícia e o tráfico, eles são contra o crime, mas muitos que estão nele são pessoas que conhecem desde pequenos, muitos cresceram juntos. Além disso, a ação policial não é o melhor dos exemplos dentro da periferia. Comumente não existe o conflito direito com os traficantes, o respeito é o sentimento prezado, o mesmo não ocorre no relacionamento com a polícia .
Por outro lado, o comportamento apresentado nas estrofes seguintes é “o politicamente correto” afirmado acima pelo jornalista Mário Marques, através de um exemplo de degradação, os enunciadores (Mano Brown e Ice Blue) desse discurso deixam claro o posicionamento adverso em relação ao consumo de drogas.

Você fuma o que vem entope o nariz
Bebe tudo que vê faça o diabo feliz
Você vai terminar tipo o outro mano lá
Que era um preto tipo A
Mó estilo de calça kalvin klein tenis puma eh
Um jeito humilde de ser no trampo e no rolê
Curtia um funk jogava uma bola
Buscava ah preta dele no portão da escola
Exemplo pra nóis mó moral mó ibope
Mas começo cola com os branquinho do shopping
Mano outra vida outro pique
Só mina de elite, balada vários drinque,
Puta de butique, toda aquela porra sexo sem limite.
sodoma e gomorra
Faz uns nove anos,
Tem uns quinze dias atrás eu vi o mano
Se tem que ver pedindo cigarro pros tiozinho no ponto
Dente tudo zuado, bolso sem nenhum conto
O cara cheira mal sente medo
Muito loco de sei lah o que logo cedo
Agora não oferece mais perigo vi
ciado, doente,
fudido, inofensivo

Nessa parte da letra estão inseridas três críticas, ao consumo de droga, ao consumismo desenfreado, e ambos propiciados pela aproximação do “Preto tipo A” com os “branquinhos do shopping”. Assim existe a posição contrária a inserção do “mano” da periferia no circuito mercadológico da classe média e alta que o subverte, o transforma em um “neguinho”.

"O apelo do consumo, do qual os branquinhos são os protagonistas, é uma tentação e sucumbir a ela pode rebaixa-lo da classe A, do seu jeito humilde de ser, para a soberba da ganância e da cobiça. A insistência cínica da publicidade que se impõe sem peias num país miserável".


Constrói-se aí uma crítica aos meios de alienação utilizados pelas classes detentoras do poder, uma tentativa de reverter tudo que os enunciadores buscam através da narrativa presente nos raps - propiciar uma emancipação do indivíduo (negro e morador da periferia) através autoconhecimento e autovalorização. O último trecho deixa claro essa intenção de manipulação que as classes mais altas possuem (agora não oferece mais perigo viciado [...] inofensivo) . A manipulação e alienação promovidas por essa parcela da sociedade têm justamente a função de evitar o “efeito colateral” que o próprio sistema cria, que nada mais são que estes indivíduos pensantes da periferia, “os cronistas do gueto”.
Quanto à presença de elementos religiosos nesse trecho, tem-se aí a figura do Diabo, simbolismo de uma situação limite, da passagem da fronteira do inferno. Nessa parte existe a continuidade da exposição do lado ruim do ambiente periférico, aqui representado pela “tentação”, mais um termo de simbolismo religioso, aos luxos oferecidos de maneira mal intencionada pelos “branquinhos”.
Na seqüência a narrativa muda o cenário sem deixar a crítica ao consumismo, o bombardeio diário das publicidades. A ostentação daquilo que os garotos da periferia foram ensinados a ver e desejar e parar por aí. A partir daí vem a escolha, escolha musicada e cantada por Afro-X em outra música dos Racionais “O sistema limita a nossa vida de tal forma que eu tive que fazer a minha escolha sonhar ou sobreviver...porém o capitalismo me obrigou a ser bem-sucedido..em busca do meu sonho de consumo procurei dá uma solução rápida e fácil para os meus problemas: o crime”.


Notas


Bombeta: boné.

KEHL, Maria Rita. Fratrias Órfãs. Disponível em: Geocities:
. Acesso em 30 set. 2004.
Grifo da autora.

NOVAES, Regina. Hip-hop: o que há de novo.Proposta: Revista Trimestral de Debate da FASE. Rio de Janeiro: FASE (Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional), n.90, p.66-83, nov.2001. p.71

Informações retiradas de depoimentos de Edy Rock (Jornal da Tarde 2/12/97); Mano Brown (Caros Amigos Especial 3) e MV Bill (Revista Democracia Viva, nov/fev 2001) transcritos em:
KEHL, Maria Rita. Fratrias Órfãs. Disponível em: Geocities:
. Acesso em 30 set. 2004.

ZENI, Bruno. O negro drama do rap: entre a lei do cão e a lei da selva, fev.2004. Disponível em: Revista Scielo Acesso em 5 nov.2004. Grifos da autora.

RACIONAIS MC´s; AFRO-X. A vida é desafio. In: ______. Nada como um dia após o outro dia. São Paulo: Zâmbia, p.2002. 2 CDs. CD 1 (56min 02s), faixa 10 (7min 13s).

domingo, 24 de agosto de 2008

textos de outros...

Esse é do Fernando Bonassi, de um roteiro para Teatro chamado Centro Nervoso...ótimo sobre a dor...

"Onde a dor dói depende de onde a dor foi, por onde a dor vem e pra onde ela vai. Poeque a mesma dor está indefinidamente de passagem por lugares diferentes. Há dores que os doutores sabem explicar perfeiamente, mas não conseguem retirar a dor de parte do doente. É o luxo de uma falação. Uma luxação, ou paenas uma teoria do que a dor doeria, já que uma dor referida em geral não doí mais. Assim, em tese, também não doí menos, por não resistir a qualquer referência, considerando que qualquer dor é uma insistência de e imolar, rebolar, revirar, mas persistir em alguma coisa. Há casos de dores qie nos acomentem em membros ausentes e por pessoas distantes que nem se amolam de se lembrar da gente! Mas as dores incomodam sem parar quando se para pensar em seu movimento renitente. Você pode nem se lembrar que doí até que sente a dor vibrar internamente. Pode ser num dente cariado que quer mastigar o alimento, no estômago enjoado que não consegue digerir um condimento ou na mente perturbada que não consegue decifrar o pensamento que teima em latejar os seus tormentos, pode ser uma dor o corno de quem procura sarna para se coçar, o gozo manhoso do masoquista que gosta de apanhar, o caroço caloso de um tumor no osso, um quisto sebáceo no pescoço chupado, um braço fraturado ou o ombro destroncado, como um Cristo viciado que tivesse carregado uma cruz de pecados e não pudesse despejar os próprios cacos no regaço de um buraco.
é bom dar atenção que a dor é um aviso. A sinalização de um prejuízo que ainda vai acontecer. É uma dor de matar, mas que não chega a morrer, porque o objetivo dessa dor não é se curar, mas permanecer para irritar, complicar, interferir e destruir. É uma dor de cabeça qu eu vou te contar. Um boneco de arame que se amassa. Um vexame que se passa. Uma bosta já basta. Uma miragem que se atravessa. Uma tatuagem que se aplica na testa.
Há uma dor generalizada, criada perlo deprimido para se parofundar em nada. Uma dor de marmelada, mas que pode doer tanto como uma facada no peito. Todos temos um coração a zelar, zerar ou gelar, conforme queiram uns e outros, que preferem esquecer para não sofrer. A memória é fraca para suportar o peso de tanto desamor. É uma deção feia, que bate no ponto nevrálgico de um cartão de compromissos mixos, salários baixos e um profissionalismo ridículo, conformando ume stado de nervos com as contas a pagare as migalhas a receber. Há muita dor em sobreviver nessa situação. À condição de quem já lutou pelo ócio, resta apenas implorar pela droga do vício do trabalho. "Quem paga o pato não o saboreia", doz a velha sabedoria. A dor em si é antiga e sentida por todo os antepassados que herdaram problemas heriditários, mas continua moderna essa dor de preocupação constante e chata, que insiste sem parar até encontrar a localização exata da casca para cutucar e doer a sua natureza. é uma dor localizada com certeza, mas que no isntante que se toca com a mão, a irritação da esfregação das asperezas se espalha pela espinha, por condutas infinitas, terminações nodosas, amarrações confusas e combinações torturantes. Não tem começo a mecha que detona a bomba desse processo. é o susto de uma explosão súbita, como a tensão incendiária de uma dúvida, uma pergunta que não cabe na conjuntura, mas que dura uma eternidade. No entanto, nós insistimos nas apostas. A que será que se destina? Fincar. Fincar. Espremer. Roer até doer ... E assim, esperando essa dor passar, se aprende a deixar a dor doer...Aliás, a dor é uma palavra tão pequena que só mesmo esse dó maior pode ser menor que ela...
Boa noite...
E tentem descansar....apesar do senhor que os acompanha".

Continuando a saga

Mais do meu trabalho de IC parei em Jesus Chorou...e agora continua...caminhando para o fim...
A profecia se fez como previsto

Análise da música Capítulo4, Versículo 3 .


“Devo ter muito inimigo por aí. É que Deus me guarda. Acho que ele sabe das minhas intenções que são boas. Minha intenção é boa.”
Mano Brown (Março de 2003)

Antes de realizar a análise da presente letra é preciso contextualizar o álbum do qual essa música faz parte, uma vez que esse contexto remete a temática analisada, ou seja, os elementos religiosos e o tom messiânico presentes no discurso dos Racionais.
Sobrevivendo no Inferno é o quarto disco dos Racionais, lançado em 1997. O álbum representou a transposição das barreiras da periferia, o rap passou de arte marginal dos subúrbios paulistanos para as paradas de sucesso de várias rádios da cidade, com direito a prêmio de melhor clipe de rap, com o clipe de Diário de um Detento, no Vídeo Music Brasil promovido pela MTV Brasileira.
Quanto a temática, o álbum traz a vida entre o céu e o inferno, metáfora que remete a melhora de vida alcançada, que pode ser representada pelo sucesso com o rap ou ainda as melhorias que o rap e os outros elementos da cultura hip hop propiciaram a periferia - o céu- e as mazelas, injustiças e miséria que ainda fazem parte do cotidiano periférico - o inferno. Assim as letras desse trabalho passeiam por esses dois mundos de forma lírica e recheada de elementos metafóricos que lembram as profecias religiosas.


"Em Sobrevivendo no Inferno [...] discurso torna-se messiânico. Nele, o céu e o inferno, Deus e o Diabo travam uma luta sem trégua na consciência do periférico, que vivendo no mundo das incertezas e simulações não visualiza outra saída senão a de cuidar de si e dos parceiros de batalha".

Versículo 4, capítulo 3 segue a tendência de todo o álbum, apresenta elementos alegóricos do céu e do inferno, viaja entre o mundo da bíblia e da pistola (crime). A escolha dessa música vai além dela possuir esses elementos para análise. A letra sob o pano de fundo de um tom messiânico, algo como a enunciação de uma profecia, aborda as temáticas trabalhadas nas letras anteriores. Assim essa análise faz um retrocesso das anteriores, confirmando a presença desses pontos levantados em várias obras do grupo, porém, em uma linguagem peculiar caracterizada por elementos religiosos.

Minha intenção é ruim, esvazie o lugar.
Eu to em cima, eu to afim.
Um, dois pra atira.
Eu sou bem pior do que você está vendo
A primeira faz pum, a segunda faz ta.
Eu tenho uma missão e não vou parar.
Meu estilo é pesado e faz tremer o chão
Minha palavra vale um tiro e
eu tenho muita munição
[...]
Minha atitude vai além e
Tem disposição pro mal e pro bem


Assim como nas outras músicas o primeiro locutor é representado por Mano Brown, que vai construindo suas falas em cima dessa dualidade céu e inferno, num discurso maniqueísta, sua personalidade “tem disposição pro mal e pro bem”. No entanto, a palavra é a verdadeira arma dele como explicita acima. Os termos “missão” e “minha palavra” logo no início já indicam a característica profética desse discurso. Ele tem uma mensagem para passar aqui e nada pode o deter isso, palavras muito importantes que beiram a força de um tiro. O enunciador exerce assim um papel semelhante de um profeta, que pode ter sua mensagem interpretada para atitudes benéficas como para ações ruins, dependendo para quem se destina e quem assimila essas palavras.
Na seqüência o enunciador segue com a ambientação dos elementos contraditórios, maniqueístas.

Talvez eu seja um sádico, um anjo
Juiz ou réu
Bandido do céu
Malandro ou otário
Insano ou marginal,
Antigo e moderno
Fronteira do céu ou inferno
Verso violentamente pacífico


O uso dos termos contrários (anjo, sádico; juiz, réu; etc) além de seguirem a trajetória da narrativa de representar os dois mundos céu e inferno, e o rap como a linha tênue entre esses dois espaços, indica como o próprio enunciador é visto, como ele pode ser classificado de acordo com quem o classifica. Para os críticos de sua mensagem, ou seja, os críticos do rap, ele é o sádico, o réu, o bandido.
Muitas vezes se questionou uma tendência de exaltação do crime por parte das letras de rap, não só do grupo, mas de todos os grupos em geral, na mídia. As narrativas, que retratam a crueza da vida periférica sem concessões para a violência que é parte integrante desse cotidiano, sofrem críticas justamente nesse ponto, de mostrar a verdade.Característica que é mascarada de culto a violência pelos críticos mais taxativos.

"Existem críticas sobre a maneira ambígua como traficantes e bandidos aparecem nas letras das músicas e nos clipes. Referindo-se aos Racionais, afirmou o jornalista Mário Marques: “Eles são politicamente corretos, são contra drogas, mas não chegam a condenar explicitamente o crime por saberem que o meio em que vivem não é exatamente favorável a uma rotina alheia à marginalidade".

Já os outros termos parecem indicar a forma como os rappers são vistos pelas pessoas da sua comunidade que os admiram, assim como os outros os ativistas do movimento hip hop, aqueles que de alguma forma a cultura hip hop trouxe benefícios. Por isso talvez ele seja um sádico ou um anjo, o adjetivo de sua personalidade é definido conforme a interpretação da sua mensagem e quem realiza essa interpretação. Assim a duplicidade é contínua na presença de dois ouvintes, assim sendo duas interpretações e duas intenções (pro bem e pro mal)

"A música cunha imagens contraditórias e agressivas [...]se volta para o ouvinte, aquele que é seu igual e seu inimigo, aquele a quem pretende aconselhar ao mesmo tempo que confundir, sabotando o raciocínio, abalando os sistemas vitais".

Na continuidade da narrativa a idéia de profecia, de força da palavra nesse discurso é explicitada nos versos seqüentes.


E a profecia se fez como previsto.
1997 depois de Cristo
A fúria negra ressuscita outra vez
Racionais, capitulo 4, versículo 3
Aleluiaaa, Racionais no ar...


Nesse momento a inserção do grupo na missão anunciada no início da letra, é o papel do grupo de rap Racionais na mensagem que está sendo “profetizada”. O previsto seria a volta do grupo que desde de 1993 não gravava um disco, após cinco anos, ou seja, “1997 depois de Cristo” a “fúria negra” (adjetivação dada pelos próprios integrantes) volta com essa mensagem, localizada no Capitulo 4 (referência ao quarto álbum), Versículo 3 (referência ao número da música no álbum). A localização da música, que também é seu título, é feita do mesmo modo que as mensagens bíblicas, mas um referente do discurso profético, de “recorte bíblico” . A finalização desse trecho com o termo Aleluia ressalta essa característica de missão, de palavra a ser proferida e que é “louvada”.
Na seqüência, desse início de estilo definidamente profético em diversos termos e trechos explicitados acima, o enunciador volta a descrição do ambiente periférico, mas uma vez apresentando dois lados da mesma face, a face do dia-a-dia na periferia.

Continua...

Notas

BROWN, Mano. Capítulo 4, Versículo 3. In: RACIONAIS MC´s. Sobrevivendo no Inferno. São Paulo: Cosa Nostra, p.1998. 1CD. Faixa 3.
Alguns trechos da letra foram suprimidos. A letra inteira segue em anexo.

ATHAYDE, Phydia de. Brown: o mano Charada.Carta Capital.São Paulo, n.310, p.10-17, 29.set.2004. p.16

NETTO, José Apóstolo. Dos Racionais aos Emocionais Emecis: um olhar marginal da relação música, favela e dinheiro, ago.2003. Disponível em: Espaço Acadêmico: Acesso em: 16 fev. 2005

NOVAES, Regina. Hip-hop: o que há de novo.Proposta: Revista Trimestral de Debate da FASE. Rio de Janeiro: FASE (Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional), n.90, p.66-83,nov.2001. p.71

ZENI, Bruno. O negro drama do rap: entre a lei do cão e a lei da selva, fev.2004. Disponível em: Revista Scielo Acesso em 5 nov.200

Termo utilizado pelo jornalista Bruno Zeni na definição do título da música.

Bombeta: boné.

"Tempo, tempo, tempo faço um acordo contigo"

Nossa...quanto tempo, tempo que não escrevo, na verdade escrevo e muito todos os dias, virei até ghost writter...mas é DA REDAÇÃO o nome certo.
Mas o tempo se esvai para escrever aqui. Minha mente já não funciona da mesma forma, não sobra criatividade, não sobra vontade.
E algumas coisas vão ficando no caminho...o mestrado, será? Tinha que estudar...tinha que fazer tantas coisas..."Tempo, tempo, tempo eu faço um acordo contigo" me dê um dia de 30 horas que eu mudo o mundo...

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Aprendendo

Uma coisa que eu aprendi nesses dias
- Não se vive sem Internet, não se trabalha, não se comunica, não se manda o material necessário sem essa bendita web.
Eu nem mesmo poderia estar dizendo isso aqui se não fosse a Internet. Você pensa em escrver algo, uma crônica quem sabe, como as meninas que trabalham comigo sugeriram, uma crônica de como nossa vida mudou com rede de informações, interatividade, e de transmissão e disseminação de besteiras, não podemos ser utópicos, enfim, eu posso até escrever essas linhas, no word mesmo,no entanto, de nada adianta porque não posso mandá-la para ninguém sem Internet. E hoje com essas possibilidades, o importante é publicar. Só se publica se tiver Internet. Tudo bem você pode publicar no jornal, mas, você não mandou o seu texto por email para o editor? É não tem jeito a nossa vida está enroscada nas "redes" da web.
Sem a rede vivemos um isolamento provocado pela nossa própria ânsia de comunicar tudo e a todos.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

próximo capítulo

No próximo post eu começo a análise da última música...Capítulo4, Versículo3

explicações a parte e mais do projeto

Olá...faz um tempinho que não escrevo, estou um pouco aterefada esses dias e estou prestes a sair do desemprego, toma que eu traga notícias boas aqui na próxima semana. Bom continuando a dose Racionais MC´S eu posto agora mais uma parte do meu relatório.

Continuando a análise de Jesus Chorou

Mesmo a figura de Jesus, em partes da letra, como a transcrita acima, e no próprio título remete a idéia de traição. Segundo os evangelhos - a figura de um líder, que lutou por um ideal e foi traído por aqueles pelo quais lutava e entregue por um discípulo seu, história que é conhecida através do Novo Testamento da Bíblia. Algo semelhante, em escala menor e em outro contexto, é claro, ao que ocorre com o enunciador do discurso.

Nas estrofes seguintes segue essa visão que vai se sedimentando com mais exemplos, enquanto Brown pensa “mil fitas”, mais e mais pessoas da sua comunidade vão gerando o sentimento de frustração e dor no enunciador, por suas atitudes vazias, por seus conselhos que vão à margem contrária de tudo que ele acreditou até o momento como ético.

Periferia- corpos vazios e sem ética
lotam os pagodes rumo a cadeira elétrica.
Eu sei você sabe o que é frustação
máquina de fazer vilão...
eu penso mil fita, vou
enlouquecer...
e o piolho diz assim quando me vê: - Famoso pra
caráio, durão, ih truta
faz seu mundo não Jão,
a vida é curta..
só modelo por ai dando boi...
Rasgar as madrugadas só de mil e cem..
se sou eu truta hã, tem pra ninguém...


No trecho acima o enunciador aponta a falta de perspectivas das pessoas da periferia nos primeiros versos, a cadeira elétrica como símbolo da cadeia, do lugar onde o crime os leva, os pagodes como atividades vazias que vivem lotadas. Tem-se ai um desabafo sobre essas atitudes, não como um tom de censura, mas de frustração, como ele cita na frase posterior. A frustração é outro sentimento frisado nessa letra. A decepção de não atingir as pessoas com a sua mensagem como ele pretendia, através da criação de uma cultura emancipadora diferente de simplesmente freqüentar “o pagode”.

E para finalizar essa parte, mas um exemplo de um indivíduo da sua comunidade que se posiciona de forma crítica ao discurso empregado por Brown. Mas uma vez o enunciador é “aconselhado” a vestir a sua imagem de celebridade e aproveitar o seu status alcançado, sem esse idealismo de fazer para e pela periferia, de retorno sempre às raízes.
O retorno, a importância de ser um indivíduo da favela e de certo modo ter orgulho da sua comunidade é algo intrínseco ao discurso dos Racionais, alguns trechos de músicas do grupo dão veracidade a essa afirmação

O dinheiro tira o homem da miséria, mas não pode arrancar de dentro dele a favela.

A minha área é tudo o que eu tenho. A minha vida é aqui e eu não consigo sair. É muito fácil fugir, mas eu não vou. Não vou trair quem eu fui, quem eu sou. Eu gosto de onde eu vou e de onde eu vim, ensinamento da favela foi muito bom pra mim .

Na rua eu conheço as leis e os mandamentos .

A toda comunidade da zona sul. Mês de janeiro São Paulo Zona Sul
Todo mundo à vontade calor céu azul. Eu quero aproveitar o sol Encontrar os camaradas pra um basquetebol .



Justifica-se novamente nesse momento a dor de Brown expressa em toda a letra de Jesus Chorou, diante da importância que aquelas pessoas representam pra ele, com exceção do primeiro indivíduo que o criticou, que não era daquela área. A constatação, através dos fatos e palavras de que tudo o que acredita parecia não ser o caminho certo para elas, criou, como já foi dito, uma crise de consciência no enunciador.

Nas falas de todos os interlocutores percebe-se que a presença da fama, do dinheiro e do status alcançado pelo enunciador é o desencadeador dessas opiniões, por isso esse discurso personificado na letra de autoria de Brown refletir a relação dele e dos demais integrantes do grupo com o sucesso alcançado. Um misto de frustração, desilusão e revolta.

A trajetória do grupo deixa evidente que eles sempre procuraram a independência em relação à indústria fonográfica, possuem seu próprio selo, sua gravadora, seus meios de distribuição, evitam a exposição em grandes mídias. Ações de visionários, de pessoas que previam a apropriação dos elementos da cultura hip hop pelo mercado. Por outro lado, o que se tem registrado nesse relato de Brown é a fragilidade dele ao lidar com isso quando sai desse meio de controle. No momento em que a roupagem de celebridade é colocada pelas pessoas da sua comunidade e, como já foi dito, as suas verdades são taxadas de hipocrisia (Famoso pra caráio, durão, ih truta faz seu mundo não Jão, a vida é curta/ periferia nada, só pensa nele mesmo, montado no dinheiro e vocês aí no veneno).

O enunciador encerra a música voltando-se para o único apoio que parece existir naquele momento, a sua fé.

Se só de pensar em matar já matou
Prefiro ouvir o pastor: Filho meu,
Não inveje o homem violento
E nem siga nenhum dos seus caminhos...
Lágrimas...
Molha a medalha de um vencedor
Chora agora ri depois,
Ae, Jesus Chorou!


O aparecimento da fé nesse momento vem como algo que dá o suporte, o apoio como em outra música do grupo “aquele que não deixa o mano aqui desandar” . Diante dos percalços apresentados no decorrer da narrativa, a desilusão com seus companheiros e, também, com sua mãe que desacreditaram em algum momento do seu discurso e de seu projeto a favor da comunidade, o que resta ao enunciador é “ouvir o pastor”. Nessas frases pode-se ver um pouco da relação de integrantes do grupo com a fé, com a religião. Recorte analisado mais profundamente na próxima letra, no entanto, tem-se um indício dessa relação de proteção, de apoio diante de situações adversas.

Os versos finais vêm com tom de otimismo, o velho ditado chora agora ri depois deixa claro essa intenção, uma espécie de presságio. Toda a dor expressada nessa letra terá sua recompensa, seu valor será mostrado.

Nesse momento o enunciador ressalta a sua esperança no movimento, na sua caminhada no cenário musical do rap. A qualquer momento isso será reconhecido da forma que se deve: uma cultura marginal que tem as diretrizes para causar uma melhora nas condições da vida na periferia, em virtude de todas as características do movimento que já foram apresentadas até aqui.

Assim a narrativa se encerra, com as lágrimas sendo uma exteriorização, também, da felicidade (“as lágrimas molham a medalha do vencedor”), seguindo o tom mais otimista das estrofes finais.


NOTAS

RACIONAIS MC´s. Negro Drama. In: ______. Nada como um dia após o outro dia. São Paulo: Zâmbia, p.2002. 2 CDs. CD 1 (56 min 02s), faixa 5 ( 6min 51s)

BROWN, Mano. Fórmula Mágica da Paz. In: RACIONAIS MC´s. Sobrevivendo no Inferno. São Paulo: Cosa Nostra, p.1998. 1CD. Faixa 11.

RACIONAIS MC´s. Na fé irmão. In: ______. Nada como um dia após o outro dia. São Paulo: Zâmbia, p.2002. 2 CDs. CD 1 (56 min 02s), faixa 7 (6min 05s)

ROCK, Edy; BROWN, Mano. Fim de semana no parque. In: RACIONAIS MC´s. Raio-X Brasil. São Paulo: RDS Fonográfica, p.1993. 1 CD. Faixa 1.

BROWN, Mano. Capítulo 4, Versículo 3. In: RACIONAIS MC´s. Sobrevivendo no Inferno. São Paulo: Cosa Nostra, p.1998. 1CD. Faixa 3.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Antes de voltar ao projeto - São Paulo

Eu estive fora uns dias por isso fiquei sem escrever. Tive que dar um tempo no projeto porque precisava postar aquele texto sobre o Caso Nardoni. Esses dias fiquei sabendo que o tal caso até virou personalidade do orkut. Enfim, tem muita gente por aí que não tem o que fazer. Em São Paulo eu participei de um Congresso, na verdade, nada de muito novo, muitas coisas acontecendo ao emsmo tempo e remota possibilidade de ver tudo.
Queria ter visto mais coisas sobre a TV Digital, alguns estudos feitos, experiências lá do Mackenzie, onde foi realizado o Intercom do Sudeste. Enfim, mas pouco eu vi. O Tema principal era a Mídia e o Meio Ambiente, coisa que eu vi muito para ajudar meu pai no trabalho de pós dele. Chato contar isso aqui não é, mas, foi minha ajuda que permitiu que ele terminasse esse trabalho. Coisas como responsabilidade social, ambiental e termos afins foram o alvo de vários trabalhos apresentados. Muita informação, no entanto, poucas novidades, as mesmas soluções e idéias que já nos são marteladas todos os dias. Confesso que perdi várias coisas, várias apresentações de trabalhos que poderiam ser mais renováveis. Sobre a TV Digital falou-se muito da tal interação que ainda é um mito por aqui. Temos a HD, no entanto nada mudou para os brasileiros.
Numa tarde depois de um belo almoço, o frango estava um pouco insosso é verdade, fui assistir a uma exibição de documentários feitos por estudantes no Expocom. Dois me interessaram bastante. Um era sobre a Casa do Hip Hop, lugar que tive a oportunidade de conhecer durante a produção do meu TCC (trabalho de conclusão de curso), muito interessante a proposta de mostrar como culturas populares, como o Hip Hop, são importantes para as comunidades onde estão inseridas. O outro era sobre a favela, porém, sob uma ótica diferenciada. A favela na visão das crianças que moram lá. Uma idéia diferente, pena que não deu para ver os documentários na íntegra.
Fora isso, São Paulo é mesmo um lugar terrível de se morar. Pode ser uma visão caipira da minha parte, porque eu sou mesmo, uma menina do interior, nascida, criada e até hoje aqui. Mas, mesmo quem mora lá não gosta, mora por uma necessidade, acho que é só por isso mesmo que se suporta viver na "floresta de concreto e aço". Trânsito, ônibus lotado, pessoas sempre com pressa, a vida passando diante dos olhos sem a contemplação necessária. Sinto-me uma estranha lá. Caminhando, sempre devagar, olhando tudo. Será que é esse meu destino necessário? Tantas cidades no Brasil, será que lá mesmo que devo ir? Vejo a idéia como uma solução, afinal aqui tenho colhido poucos frutos, no entanto, uma idéia que me dá medo.
Enfim, algumas impressões da minha visita à Capital Paulista. Um passeio pelo Consolação e Rebouças. Ruas que antes conhecia apenas do Banco Imobiliário. Lembram desse jogo? No próximo post mais do meu projeto.
Até lá...

sábado, 3 de maio de 2008

Sobre mais uma novela da televisão brasileira

Não é novidade alguma, ainda mais agora que já faz mais de um mês do primeiro capítulo dessa novela que a mídia criou mais uma vez diante de um acontecimento real. A novela que tem o ibope de todos os brasileiros. Um diferencial: ela passa em todos os canais, embora cada emissora tente abocanhar para si um fato exclusivo, uma entrevista inédita. A pequena Isabella Nardoni teve apenas 5 anos e pouco de vida, mas o suficiente para ser uma das principais atrizes de uma história que envolve crime, ciúme, romance, mentiras, polícia, justiça, populares, revolta, enfim, diversos ingredientes para um grande sucesso de audiência, digno das grandes novelas de Aguinaldo Silva. Me desculpe a comparação, não se trata de desrespeito a vítima, uma linda criança que nem tem culpa de nada, e nem de romancear os culpados. Trata-se aqui de uma crítica a forma como fatos assim são explorados e re-explorados pela mídia, como ela transforma um crime hediondo em um folhetim romanesco. Mas, além disso o fato que mais me incomodou foi a forma que, ao criar esse roteiro novelístico, a mídia envolve os chamados "populares" na trama. Pessoas ditas comum que nada tinham em comum com a família Nardoni, nem ao menos já tinham visto o rosto vivo da menina Isabella e hoje se sentem parte integrante da família. Os populares que se tornam linchadores ou pelo menos assim o sentem. Achei que só eu pensava assim, só eu tinha esse sentimento de repúdio àqueles que saem de sua casa, deixam seu trabalho, escola, enfim o que estavam fazendo para se postar em frente a uma delegacia e gritar palavras de ordem como "Lincha", "Justiça", "Assassinos", "Isabella",e chegar ao cúmulo de cantar parabéns a uma menina que até então nem conheciam. Mas, descobri que não. Muitos acreditam também ser absurdo uma atitude dessa. Uma mulher com uma criança no colo no sol, gritava que a família é uma instituição falida. Com certeza minha senhora, já que em vez de estar em casa cuidando do filho a senhora o coloca no desconforto de ficar em pé no sol gritando palavras que ele nem conhece ainda. O sorveteiro aproveita para fazer um trocados em frente a 9º DP, em frente à casa da família Nardoni, da Família Jatobá, do Edifício London. Por que não tirar uma foto da janela de onde a menina foi atirada? Por que não invadir o prédio, a casa de alguém ligado a família? Tudo isso traz emoções a mais ao enredo. Todos os populares são personagens de um tribunal, todos juízes capazes de condenar alguém que não conhecem, pouco sabem da vida a não ser pequenos factoídes divulgados pela mídia para construir todo uma trajetória de traumas e atitudes violentas que indicam a faceta de um assassino. Não cabe a mim também dar uma de "popular" e assinalar aqui culpados ou inocentes. Acho que isso cabe a um julgamento sério, feito por pessoas capacitadas e formadas com esse intuito de julgar réus. Culpados ou não, isso não importa agora, nem para esse texto. O que importa aqui é destacar como a mídia consegue contruir uma história de bem e mal e assim nos redimir de nossos próprios pecados, consegue nos proteger de nossos próprios monstros internos. Parafrasendo, em termos, o que uma amiga minha me disse. É nesse momento que vemos o que nós seres humanos somos capazes de fazer, todos, e vemos como única saída o linchamento, assim nos sentimos menos pecadores por tratar com violência quem praticou violência num eterno ( e terno) círculo...

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Parte II de Jesus Chorou

Mais uma parte do meu relatório...

Análise de Jesus Chorou - PARTE II

tava eu mais dois truta e uma mina
num Tempra prata show filmado ouvindo Guina
o bico se atacou ó, falou uma pá do cê...
Esse Brown aí é cheio de querer ser, deixa ele moscar e cantar
na quebrada, vamo ver se é isso tudo quando ver as quadrada,
periferia nada, só pensa nele mesmo, montado no dinheiro e vocês
aí no veneno [...]
cada um no seu corre [...]
eu mesmo se eu catar voa
numa hora dessa, vou me destacar do
outro lado de pressa, vou comprar uma house de boy
depois alugo,vão me chamar de senhor não por vulgo
mas pra ele só a zona sul que é a pa [...]
porque eu não pago pau pra ninguém [...]


A crítica não está no fato de Brown ter alcançado o status através da música, ser uma referência no cenário nacional, e sim no seu discurso pró-periferia, pró-zona sul (onde o cantor mora e sempre morou), segundo o “bico” o cantor é hipócrita nessas falas. Está montado no dinheiro e na fama enquanto os seus amigos, os chamados “trutas”, continuam no mesmo cotidiano da favela, no mesmo “veneno”. Para ele, Brown deveria assumir que é uma celebridade, comprar uma casa de “boy” e passar para o outro lado (o lado do mercado consumista) e parar de lutar pela sua “quebrada”, como ele mesmo faria, se tivesse a oportunidade (eu mesmo se eu catar voa uma hora dessas). O sentido do verbo voar nesse trecho é de escalada na vida social, é passar de uma classe subjugada para as mais altas, algo alcançável para Brown em virtude do seu status obtido através do rap.
E por que isso abala tanto Brown? Entre os motivos, o principal é que essa imagem criada pelo “bico” desfaz tudo que o hip hop prega, tudo que o enunciador lutou e ainda luta através da sua arte, da sua música. Se caso cedesse a esses “conselhos”, Brown, contribuiria com desmantelamento da “marca identitária” do hip hop

"Não pode ficar nem isolado sem levar a mensagem, nem se submeter à lógica estritamente comercial que predomina no mercado e na mídia, pois, isso colocaria em risco a própria mensagem e anularia a missão".

A falta de compreensão é representada na figura de uma pessoa, no entanto, esse desconhecimento do verdadeiro sentido do movimento cultural no qual o rap se insere é algo que passa por diversos lugares e pela mídia, também. A figura dos Racionais se torna mais suscetível a isso pelo fato de serem avessos as grandes mídias, o que cria uma áurea de arrogância e superioridade em volta dos integrantes.
Milton Salles produtor/ideólogo/interlocutor dos Racionais, em entrevista a Caros Amigos, justifica essa escolha taxativa dos integrantes de não aceitar convites da grande mídia

"O problema, mais do que como a mídia vai tratar o rap, é você ser instrumento de manipulação, massa de manobra. É você estar dando subsídio que vende produto, é de repente você estar dentro do Faustão, dentro da Rede Globo, e com isso você manter o Ibope do dragão".

Por outro lado, esse posicionamento é a “volta para dentro”, a preocupação do grupo, que veio da favela, com a própria favela é fazer algo da periferia para periferia, esse posicionamento está na gênesis do movimento

"O compromisso não está só na mensagem da música, mas na atitude: continuar na quebrada, lutar pelos manos, não se vender à indústria milionária do disco e da televisão que lança e derruba modas".


A dor de Brown está justamente nesse ponto, quando a sua posição é distorcida e seus ideais incompreendidos e transformados em hipocrisia. A resposta do enunciador vem nas estrofes seguintes

Quem tem boca fala o que quer
Pra ter nome, pra ganhar atenção
das mulhé ou dos homens...amo
Minha raça, luto pela cor,
o que quer que eu faça é por nós, por
Amor, não entende o que eu sou,
não entende o que eu faço, não
Entende a dor e as lágrimas do palhaço...


No trecho o enunciador explicita a sua luta, tudo o que faz pelos negros da sua comunidade (raça, cor) e faz isso movido pelo sentimento do amor. Um discurso que pode até apresentar um tom piegas, mas a resposta vem na intensidade da dor, da revolta de ser incompreendido. E isso reflete a própria personalidade de Brown, um traço de preocupação maior com os outros, como se constata em um trecho de outra música de sua autoria

"Se você der um role comigo vai ver que eu sou um cara meio chapado.
Penso mil fitas ao mesmo tempo, tenho solução pra todo mundo, e pra mim mesmo muitas vezes eu não tenho nenhuma".

As pessoas não entenderem o processo de todo o discurso dos Racionais e todas coisas que os integrantes fazem no sentido de revolução na favela, pelo simples fato de serem exemplos de caminhos alternativos ao crime que podem ser seguidos, abala o enunciador, e essa indiferença é originada no seio do ambiente que ele quer transformar. Incompreensão até da própria mãe como segue no trecho seguinte


[...] e a minha mãe diz: Brown acorda, pensa
no futuro que isso é ilusão, os próprio preto não tá nem ai com
isso não, ó o tanto que eu sofri, que eu sou, o que eu fui, a
inveja mata um, tem muita gente ruim
Pô mãe não fala assim que
eu nem durmo, meu amor pela
senhora já não cabe em Saturno


Assim o fato desencadeador se costura com outros acontecimentos, com outros momentos de não assimilação da mensagem real que o rap dos Racionais quer passar. A música foi feita em 2001, mas esses problemas na interpretação tanto da própria mensagem que está sendo passada como, também, das atitudes dos rappers tem gerado discussões recentes. Mano Brown em um encontro em fevereiro desse ano demonstrou-se preocupado com a forma que mensagem estão sendo interpretadas, na época desabafou que parecia que os “manos” não estavam assimilando as letras direito. Algo que ele já anunciava nessa letra (“não entende o que eu sou, não entende o que eu faço, não entende a dor e as lágrimas do palhaço”).
A conexão dos fatos cotidiano narrados e a relação do grupo com a fama se constrói nas estrofes seguintes, no decorrer dessa parte até o final da letra Brown apresenta um discurso fomentado na sua batalha pessoal contra a “venda” dos ideais do rap ,algo cada vez mais perto de ocorrer diante da visibilidade que o estilo tem angariando nos últimos anos.

Dinheiro é bom, quero sim se essa é a pergunta,
Mas dona Ana fez de mim um homem e não uma puta [...]
Sozinho eu sou agora o meu inimigo intimo
Lembranças más vem, pensamentos bons vai.
Me ajude, sozinho penso merda pra caráio
Gente que acredito, gosto e admiro,
Brigava por justiça e em paz levou tiro: Malcon X,
Ghandi, Lennon, Marvin Gaye, Che Guevara, Tupac, Bob Marley e
O Evangélico Martin Luther King...
Lembrei de um truta falar assim: não joga pérola
Aos porco irmão, jogue lavagem
Eles prefere assim, se tem de usar piolhagem .


O enunciador, assim, não é contrário as possibilidades do ponto de vista material que o rap pode proporcionar, no entanto, defende uma visão do conjunto, de nada adianta a fama de um ou outro cantor de rap se não tiver o retorno para a comunidade como prega a ideologia do hip hop, o que importa para eles é a inserção da mensagem na periferia. E, também, é avesso a “venda” da sua arte, ou seja, apropriação e reformulação do rap pelos interesses comerciais. A ascensão social é algo positivo, no entanto, sem a necessidade de desvirtuar os objetivos da cultura hip hop.

"Para eles (Racionais) a questão do reconhecimento e da inclusão não se resolve através da ascensão oferecida pela lógica do mercado, segundo o qual dois ou três indivíduos excepcionais são tolerados por seu talento podem mesmo se destacar de sua origem miserável, ser investidos narcisicamente pelo star system e se oferecer como objetos de adoração, identificação e consolo para grande massa de fãs".

O reconhecimento da grande mídia, do mercado, portanto, não é o objetivo dos integrantes do grupo, mas parece como um agravante da dor de Brown, já que a fama de algum modo gerou um mal estar na própria comunidade, nos seus “manos”. A partir daí se desfaz a ilusão de que aquilo que ele faz por amor, a “luta pela cor”, produz algum sentido. Para sustentar essa derrota, ele se espelha nos seus ídolos, nos seus exemplos de guerreiros (Malcon X, Ghandi, Lennon, Marvin Gaye, Che Guevara, Tupac, Bob Marley e Martin Luther King). Assim como ele foi desacreditado, esses “levaram tiro”.
A última frase (“lembrei de um truta falar assim: não joga pérola aos porco irmão jogue lavagem eles prefere assim, se tem de usar piolhagem”) sintetiza mas uma vez a desilusão do enunciador, um amigo que assim como sua mãe alerta que aquilo não tem futuro. É desnecessário dar “pérolas aos porcos” já que eles foram acostumados à “lavagem”. Uma metáfora que indica que é inútil Brown tentar trazer algo de bom para periferia, travar essa luta através da música de protesto que é o rap, uma vez que “os próprios pretos não estão nem ai pra isso não”, segundo o amigo Brown tem que usar da sacanagem mesmo, assim como o primeiro que criticou o posicionamento do enunciador, passar para o lado de lá, ser “patrão”.
A mensagem destaque até o momento é uma definição de traição para enunciador em relação aos ideais que a cultura hip hop trouxe para periferia , que mesmo que não tenho mudado a estrutura social do país, causaram uma revolução nessa parcela da sociedade. Expressão maior disso é a frase “O hip hop salvou a minha vida”, a qual o jornalista Spensy Pimentel afirmou ter ouvido inúmeras vezes quando realizava o seu trabalho de conclusão de curso e que em poucos anos se espalhou pelas favelas a fora. O próprio Brown faz referencia, em outro música, à importância que o rap tem na sua vida

"Rap é minha vida. Tudo que eu me envolvo eu sou fanático. Eu amo ou eu odeio. Tudo que eu sei falar hoje, se eu sei trocar uma idéia mais ou menos, é por causa do rap. Se você não sair num mundão você não consegue comparar as coisas, saber o que é certo ou errado. O rap me ajudou a ver tudo isso".



NOTAS

Truta:amigos verdadeiros.

Guina: personagem da música “To ouvindo alguém me chamar”.( BROWN, Mano. To ouvindo alguém me chamar. In: RACIONAIS MC´s. Sobrevivendo no Inferno. São Paulo: Cosa Nostra, p.1998. 1CD. Faixa 4.)

Bico: o cara intrometido, que entra na conversa quando não é chamado e comumente não é bem-vindo.

Uma pá: um monte de alguma coisa.

NOVAES, Regina. Hip-hop: o que há de novo.Proposta: Revista Trimestral de Debate da FASE. Rio de Janeiro: FASE (Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional), n.90,nov.2001.p.66-83. p. 68.

VIANA, Natália. Enquanto isso na sala de justiça.Caros Amigos. São Paulo, n.24, jun.2005. Edição especial. p. 07

AMARAL, Marina. De volta para o futuro.Caros Amigos.São Paulo, n.24, jun.2005. Edição Especial. p.05.

BROWN, Mano. Privilégio 2: o tempo é rei. In: JAY, KL. Equilibrio : a busca. São Paulo: 4P Discos Ltda 2001. 2 CDs (1h46min.). Faixa 21 (18min.32s.)

* A reunião, que pretendia discutir os rumos do rap, durou quatro horas não chegou a uma conclusão, mas todos concordam que esses problemas surgiram com a popularização do rap, no momento que esse ultrapassou as fronteiras da periferia. Perdeu-se um pouco o centro, o objetivo de todo movimento, por isso foi a hora de parar e remanejar os caminhos do rap. Mas já em 2002, Brown demonstrava esse descontentamento com os rumos do sucesso que o grupo alcançava, Jesus Chorou é registro disso.

Piolhagem: sacanagem, vacilo.

KEHL, Maria Rita. Fratrias Órfãs. Disponível em: Geocities:
. Acesso em 30 set. 2004.

* Todas as características e objetivos que já foram apresentados no relatório parcial e sumamente nesse relatório.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Aviso aos navegantes

Assim como Negro Drama eu vou postar a análise de Jesus Chorou em partes. Logo mais eu coloco a segunda parte.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Análise de Jesus Chorou

Essa é a segunda música que eu analisei dos Racionais, fiz essa escolha para abordar o tema da fama, como o grupo lidava com essa questão, uma vez que já tinha alcançado status no cenário musical brasileiro e já era considerado uns dos melhores grupos de Rap Nacional.

Não quero status, nem fama!

Análise da música Jesus Chorou

“Quanto maior a fama, maior o número de inimigos, maior o número de pessoas que querem quebrar as suas pernas, te derrubar. Mais você vai ter que provar para os outros, mais você vai ser registrado e mais, você será cobrado” Mano Brown (Março de 2004) .

Em Jesus Chorou Mano Brown, como enunciador principal na narração, faz relato de “uma fita que o abalou” . A narrativa de um fato normal do cotidiano carrega vários indicativos da relação do grupo com a fama, com as pessoas que se aproximaram devido ao status alcançado pelo sucesso no cenário musical do rap. Essa relação não parece apenas nessa música do álbum, de certa forma essa temática tornou-se recorrente a partir desse trabalho. Sobre o disco

"O disco representa uma face de lirismo, consciência da passagem do tempo e reflexão sobre a posição social do grupo se não é absolutamente inédita nas composições dos Racionais, ainda não havia aparecido de forma tão evidente e tocante".


A narrativa é um desabafo, uma descrição da dor do enunciador ao ver que em determinado momento todos os ideais que prega através da música, os ideais geradores do Hip hop, se esvaecem diante da incompreensão dos invejosos e, também, das pessoas por quem ele lutou até o momento. É desilusão com a fama nos moldes ditados pela indústria cultural.

O que e o que é??
Clara e salgada, cabe em um olho e pesa uma tonelada...tem sabor
de mar,
pode ser discreta, inquilina da dor, morada predileta....na
calada ela vem, refém da vingança, irmã do desespero, rival da
esperança... pode ser causada por vermes e mundanas...e o
espinho da flor, cruel que você ama amante do drama,
vem pra minha cama, por querer, sem me perguntar me fez sofrer..
e eu que me julguei forte...e eu que me
senti...serei um fraco, quando outras delas vir..se o barato é
louco e o processo é lento...no momento...deixa eu caminhar
contra o vento...o que adianta eu ser durão e o coração ser
vulnerável...
o vento não, ele é suave, mas é frio e implacável
borrou a letra triste do poeta
correu no rosto pardo do profeta..
.verme sai da reta...a lágrima de um
homem vai cair...esse é o seu B.O. pa eternidade...
diz que homem não chora...
ta bom, falou...não vai pra grupo irmão ai ....
JESUS CHOROU ! ! !


No início de forma lúdica, num jogo de adivinhação o enunciador descreve o seu momento de dor, nesse instante há apresentação dessa situação de drama. Todo esse discurso remete a maior expressão de exteriorização da dor - a LÁGRIMA. O título Jesus Chorou remete ao tema da música, ele -Jesus- é o exemplo da força, da resistência a tudo que o atingiu até o momento da crucificação e, ao mesmo tempo teve o seu momento de dor e a ação de colocar isso em evidência ao chorar. Não que Brown, o narrador-enunciador, tenha a pretensão de ser um líder como Jesus, mas em seu ambiente de influência, em uma escala menor, ele é exemplo para muitos.


A reportagem de Phydia de Athayde para Carta Capital oferece indicações do que seria o “poder” de Brown na sua “quebrada”

"Ele fala pouco. Quando o faz, jamais é interrompido. Metade, na roda, nada diz. Os de sempre se movem seguindo à risca a liturgia. Liturgia não escrita nem falada. Apenas apreendida. Se Brown anda 5 metros para esquerda, fazem o mesmo. Em silêncio. Não são fãs. São amigos".


E, agora o enunciador admite a sua fraqueza, embora seja considerado um forte pelos amigos, e tenha construído mesmo que inconsciente a fama de durão ele se sente fraco, como ele mesmo afirma “o que adianta ser durão e o coração ser vulnerável”.
Na seqüência o enunciador passa a narrar os acontecimento que desencadearam essa dor e o que fazer agora, quando tudo que ele acredita e lutava parecia se esvaziar no ar. Uma “fita” contada pelo outro locutor dessa música o abalou e criou essa crise interior do primeiro narrador. Embora, a sua voz interior insista no “espírito do Capão”, expressão que simboliza a luta que ele trava pelo seu local de origem por meio da sua força como artista, algo o abalou, fato que criou uma situação de desmoronamento de seus ideais.

O que fazer quando a fortaleza tremeu
E quase tudo ao seu redor melhor
Se corrompeu
Epa pera lá muita calma ladrão!
Cadê o espírito imortal do Capão? [...]
Uma fita me abalou na noite anterior


No próximo trecho aparece o fato desencadeador de todo o discurso dessa música, uma ligação de um amigo sobre o acontecimento da noite anterior, o fato em si não tem a importância central da letra, mas justifica o sentimento apresentado pelo enunciador. Segundo o outro enunciador na noite anterior ele saiu para “fumar um” e nessa “atividade” presenciou o desabafo de outro individuo sobre a posição de Brown - o primeiro enunciador- como artista.
Na história, o segundo enunciador e mais algumas pessoas estavam no local quando apareceu o indivíduo que não era de lá, mas ficou ali para participar da “atividade”, como o grupo estava ouvindo uma música dos Racionais cantada por Brown, ele fez um desabafo sobre o que achava do cantor. Como segue na narrativa

tava eu mais dois truta e uma mina
num Tempra prata show filmado ouvindo Guina
o bico se atacou ó, falou uma pá do cê...
Esse Brown aí é cheio de querer ser, deixa ele moscar e cantar
na quebrada, vamo ver se é isso tudo quando ver as quadrada,
periferia nada, só pensa nele mesmo, montado no dinheiro e vocês
aí no veneno [...]
cada um no seu corre [...]
eu mesmo se eu catar voa
numa hora dessa, vou me destacar do
outro lado de pressa, vou comprar uma house de boy
depois alugo,vão me chamar de senhor não por vulgo
mas pra ele só a zona sul que é a pa [...]
porque eu não pago pau pra ninguém [...]


NOTAS

RACIONAIS MC´s.Jesus Chorou. In:______. Nada como um dia após o outro dia. São Paulo: Zâmbia, p.2002. 2 CDs. CD 2 (54 min 31s), faixa 4 (7min 51s).
Alguns trechos da letra foram suprimidos. A letra inteira segue em anexo.

ATHAYDE, Phydia de. Brown: o mano Charada.Carta Capital.São Paulo, n.310, p.10-17, 29 set.2004. p.16

Fita: acontecimento, fato.
Grifo da autora.

ZENI, Bruno. O negro drama do rap: entre a lei do cão e a lei da selva, fev.2004. Disponível em: Revista Scielo Acesso em 5 nov.2004
Quebrada: bairro ou rua que é local de moradia.

ATHAYDE, Phydia de. Brown: o mano Charada.Carta Capital.São Paulo, n.310, p.10-17, 29.set.2004. p.13.

Fumar um: fumar maconha

quarta-feira, 23 de abril de 2008

ANIVERSÁRIO

HOJE É UM DATA ESPECIAL...

EU FAÇO 24 ANOS!!!!!

E hoje só o que eu quero é o Parabéns dos meus amigos e das demais pessoas que eu amo

Que Deus continue iluminando o meu caminho